Junta militar estuda pedir extradição de Shinawatra

A junta militar da Tailândia estuda pedira extradição do primeiro-ministro deposto, Thaksin Shinawatra,enquanto crescem as suspeitas de que o ex-premier possa ter retiradoseu dinheiro do país de forma ilícita antes do golpe de Estado que oafastou do poder na semana passada. A cúpula militar determinou uma investigação para investigar asdenúncias de que Shinawatra teria tirado dinheiro do país em malas ebaús que foram transportados em aviões para diversos países. Segundo informações publicadas pela imprensa local, que citamfontes da companhia aérea estatal Thai Airways International, diasantes do golpe Shinawatra teria fretado dois aviões que partiram deBangcoc rumo a diferentes destinos carregados com cerca de cemmalas, cujo conteúdo não foi declarado. Segundo fontes policiais, vários dias antes do golpe de Estado,Pojamarn Shinawatra, esposa do ex-primeiro-ministro, viajou de aviãoaté Cingapura, depois de despachar oficialmente no aeroporto dacapital 36 baús e malas, que não retornaram com ela no vôo de voltaa Bangcoc horas depois. O porta-voz da junta militar, o general Tawip Netnitorn, disse àimprensa que as autoridades esgotarão os recursos judiciais paralevar Shinawatra à Justiça caso seja considerado culpado porqualquer um dos crimes pelos quais está sendo investigado. Um porta-voz da Thai Airways International afirmou que PojamarnShinawatra, titular de muitos dos negócios familiares, foi aLondres, onde poucos meses atrás o ex-primeiro-ministro comprou umamansão. A nova Comissão Nacional Anticorrupção criada pela cúpula militarpara investigar os muitos casos nos quais Shinawatra e pessoaspróximas a ele possam estar envolvidos começou seus trabalhos nesta segunda-feira. "Nós nos concentraremos nos casos de corrupção relacionados compolíticos, a princípio os que estejam prestes a prescrever e que sãomais importantes", disse o presidente da comissão, ParnthepKlanarongran. Existem cerca de dez mil casos de denúncias de corrupção, amaioria relacionada com Shinawatra e os políticos que ocuparam altoscargos durante os cerca de seis anos de governo do ex-premier. "Ainda não separamos as denúncias de corrupção que envolvempolíticos das que são contra funcionários do governo anterior",afirmou Klanarongran, ex-presidente do Tribunal Supremo. Antes do início da reunião, a junta militar anunciou que acomissão terá poder para confiscar as propriedades que Shinawatra,os ministros do governo e seus familiares possam ter adquirido deforma ilícita. Em um anúncio televisionado no domingo, o conselho militar,liderado pelo general Sonthi Booyaratglin, indicou que a comissãoconcentrará suas primeiras investigações nos maiores projetos deinfra-estrutura empreendidos pelo Governo de Shinawatra. "Existem provas suficientes para crer que houve abuso de poderpara se beneficiar economicamente, e que causaram graves danos aopaís", afirmou o conselho em seu comunicado oficial. A junta militar citou a corrupção como uma das principais razõespara dar o golpe de Estado contra Shinawatra, que está em Londresdesde quarta-feira passada. A família de Shinawatra, que em janeiro deste ano vendeu por US$1,9 bilhão parte de seu conglomerado empresarial à companhia estatalde Cingapura Temasek, é considerada uma das mais ricas da Tailândia. A venda da Shin Corporation, a companhia de telefonia celularfundada por Shinawatra, um ex-oficial da Polícia que ficou ricovendendo computadores para as forças de segurança, desatou uma ondade protestos devido ao fato de a operação comercial ter sido isentade impostos.

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