Junta pede fim de greves no Egito

Exército divulga comunicado no qual diz que paralisações prejudicam a economia do país

estadão.com.br,

14 de fevereiro de 2011 | 12h31

CAIRO - A junta militar que governa no Egito pediu nesta segunda-feira,14, o fim das greves e manifestações que atingem o Cairo e outras cidades do país. Trabalhadores de diversos setores aproveitaram a derrubada do ex-ditador Hosni Mubarak para pedir melhores salários.

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O pedido está no quinto comunicado do Conselho Supremo das Forças Armadas divulgado pela televisão pública. "Nobres egípcios veem que essas greves em tempos delicados como este levam a resultados negativos", diz o comunicado. O Exército pediu ainda que a população e os sindicatos desempenhem seu papel para não prejudicar a atividade econômica.

Trabalhadores nos setores bancário, de transportes, petróleo, turismo, têxteis, na mídia estatal e funcionários públicos cruzam os braços, exigindo melhores salários e condições de trabalho, disse Kamal Abbas, do Center for Trade Union and Workers'' Services. "É difícil dizer exatamente quantas pessoas estão em greve e onde. Quem não está em greve?", perguntou.

Muitos sindicatos são liderados por pessoas afiliadas ao regime de Mubarak. Com isso, os trabalhadores tinham poucos canais formais para levantar suas demandas. "Em muitos lugares, os trabalhadores querem a retirada de altas figuras que são acusadas de corrupção", afirmou Abbas. A diferença entre salários de diretores e gerentes é um tema importante. Muitos trabalhadores exigem benefícios e proteção legal, após trabalharem durante anos regidos por contratos temporários, segundo Abbas.

Os protestos nacionais no Egito começaram em 25 de janeiro. Na sexta-feira, os manifestantes conseguiram derrubar Mubarak, que estava havia três décadas no poder. Pelo menos 300 pessoas foram mortas nos protestos, e muitas outras foram feridas ou presas. Com a queda de Mubarak, o poder egípcio ficou na mão dos militares, que dissolveram o Parlamento e prometeram reformar a Constituição e convocar eleições.

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Com Reuters, AP e Efe

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