Juntos, candidatos gastaram o recorde de US$ 1,9 bilhão

A internet criou novas plataformas que encareceram a disputa, mas ela também facilitou a arrecadação

CRISTIANO DIAS, O Estado de S.Paulo

07 de novembro de 2012 | 02h04

De acordo com a comissão eleitoral americana, as campanhas de Barack Obama e Mitt Romney gastaram juntas US$ 1,9 bilhão até meados de outubro, um recorde. Em média, são US$ 90,5 milhões por mês, cerca de US$ 3 milhões por dia ou quase US$ 35 por segundo em publicidade no rádio, TV, internet, em organização de comícios, viagens e outras despesas.

Segundo a Open Secrets, organização que monitora os gastos de campanha nos EUA, 55% dos recursos são consumidos em publicidade e propaganda e 20% em despesas administrativas (pagamento de salários, aluguel de salas, contas de luz e telefone) - ou seja, três quartos do preço da campanha. O restante são despesas com festas para arrecadação de fundos, viagens dos candidatos pelo país ou impostos.

O primeiro fator para a explosão dos gastos é o aumento dos preços da publicidade e da quantidade de plataformas, como internet, mídias sociais, aplicativos para iPads e smartphones. O custo de integração dessas ferramentas também cresceu, com a contratação de webmasters, hospedagem, especialistas em som e vídeo, analistas, consultores de imagem, estatísticos e redatores. O comitê de campanha é outro escoadouro de dinheiro. São computadores, celulares, linhas de telefone fixo, copiadoras, faxes, televisores, um serviço especializado de mailing, call centers, além dos custos com pesquisas de opinião.

Se a internet criou novas plataformas que encareceram a disputa, ela também facilitou a arrecadação. Em 2008, o presidente Barack Obama soube usá-la para obter US$ 500 milhões, a maioria de pessoas que doaram menos de US$ 200. Em agosto, os democratas anunciaram que começariam a receber doações por mensagem de texto. Uma semana depois, os republicanos fizeram o mesmo.

Nesta eleição, contudo, o Partido Democrata não teve a mesma vantagem, apesar de o perfil de seus doadores ter se mantido igual. Embora a campanha de Obama tenha torrado US$ 931 milhões, ela foi superada pela de Mitt Romney, que gastou US$ 1,02 bilhão.

Os mecanismos de arrecadação também melhoraram após uma decisão da Suprema Corte, de 2010, que autorizou a criação de Super PACs, grupos de apoio às candidaturas autorizados a receber doações ilimitadas. O primeiro resultado prático dessas mudanças é que a eleição ficou mais cara. Na corrida presidencial de 1980, o republicano Ronald Reagan e o democrata Jimmy Carter gastaram juntos US$ 92,3 milhões, menos do que os gastos de Obama em um único mês.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.