EFE/Caroline Blumberg
EFE/Caroline Blumberg

Juppé desiste de concorrer à presidência da França e diz que país está doente

Ex-premiê elogiou o candidato François Fillon por sua determinação de continuar na disputa apesar das pesquisas de intenção de voto mostrarem sua derrota ainda no primeiro turno

O Estado de S.Paulo

06 de março de 2017 | 08h31

BORDEAUX, FRANÇA - O ex-premiê francês Alain Juppé disse nesta segunda-feira, 6, que decidiu "de uma vez por todas" não concorrer na eleição presidencial francesa, acabando com as esperanças de muitos membros de seu partido conservador que temem a derrota do atual candidato da legenda em razão de um escândalo.

Juppé qualificou o criticado candidato de seu partido, François Fillon, de obstinado em sua determinação de continuar na disputa apesar das pesquisas de intenção de voto que mostram sua derrota ainda no primeiro turno das eleições, mas não ofereceu um plano alternativo.

O resultado ruim de Fillon nas pesquisas beneficiou o centrista e atual favorito Emmanuel Macron, que deve enfrentar no segundo turno - realizado no dia 7 de maio - a líder de extrema-direita Marine Le Pen. Pesquisas mostram que, se Juppé fosse candidato, chegaria confortavelmente ao segundo turno.

"Nosso país está doente", disse ele em entrevista coletiva em Bordeaux, cidade do litoral oeste da qual é prefeito. "Para mim é tarde demais, mas não é tarde demais para a França", disse o ex-premiê de 71 anos.

Reunião. Também nesta segunda-feira, o ex-presidente da França, Nicolas Sarkozy, propôs uma reunião a três com Fillon e Juppé para "achar uma saída digna e crível a uma situação que já não pode continuar".

Em comunicado, o também ex-presidente do partido conservador Republicanos expressou que "frente à gravidade da situação (...) cada um deve fazer tudo para preservar a unidade". A mensagem de Sarkozy foi divulgada pouco antes da declaração de Juppé sobre a crise que afeta o partido de direita.

Sarkozy considera a situação insustentável e julga que "cria uma profunda consternação nos franceses".

Trata-se da primeira vez que o ex-presidente se manifesta publicamente sobre a situação de Fillon, que reiterou sua intenção de manter sua candidatura apesar de seu provável indiciamento no dia 15 de março pelo caso dos empregos fantasmas que supostamente concedeu a sua esposa e dois de seus filhos.

Em um ato diante de milhares de seus partidários no domingo em Paris, Fillon criticou os correligionários que lhe retiraram seu apoio nos últimos dias após saber de sua convocação judicial, aos quais qualificou de desertores "sem vergonha nem orgulho". / REUTERS e EFE

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