REUTERS/Guadalupe Pardo
REUTERS/Guadalupe Pardo

Júri abre processo contra presidente do Peru por indução de votos em eleições legislativas

Martín Vizcarra teria pedido que eleitores votassem em candidatos dispostos a eliminar impunidade parlamentar

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2019 | 23h17

O Júri Especial Eleitoral (JEE) de Lima abriu um processo nesta segunda-feira, 23, contra o presidente do Peru, Martín Vizcarra, suspeito de induzir a votação nas eleições legislativas em janeiro próximo. De acordo com a acusação, Vizcarra teria pedido que eleitores votassem em candidatos dispostos a eliminar a impunidade parlamentar.

O JEE de Lima concedeu à Vizcarra um período de três dias para enviar suas isenções por suposta violação do princípio da neutralidade. O processo responde a uma denúncia apresentada por Diethell Columbus, candidato ao Congresso pelo partido Fujimorista Fuerza Popular, perante o JEE de Lima e o Tribunal de Honra do Júri Nacional de Eleições (JNE). Columbus denunciou Vizcarra após um discurso do presidente no sábado passado na cidade de Lambayeque, onde foi fazer uma viagem de trabalho e pediu à população que "recompensasse" com seu voto o candidato que fez "as coisas certas".

O chefe de Estado também recomendou que os eleitores "escolham bem e votem nos candidatos que... trabalham para combater a corrupção, para eliminar a imunidade e as desigualdades parlamentares". "Se eles garantirem isso, vote neles e trabalharemos de mãos dadas com o Congresso para fazer as mudanças que vocês estão pedindo", disse Vizcarra.

Na opinião de Columbus, Vizcarra tentou "violar o princípio da neutralidade", pedindo-lhes que "votassem naqueles que buscam eliminar a imunidade parlamentar", que são outros partidos que não a Fuerza Popular. "Há partidos que dizemos que não devem ser eliminados, mas melhoram os procedimentos para aumentar a imunidade parlamentar. Essas declarações favorecem aqueles que compartilham sua agenda política", acrescentou Columbus em entrevista ao Canal N.

Nas eleições de 26 de janeiro, os peruanos elegerão os 130 representantes do Congresso unicameral que completará o período (2016-2021) do Legislativo que foi fechado por Vizcarra em setembro passado. A lista de candidatos do Fuerza Popular, movimento fundado pelo ex-presidente presidencial Keiko Fujimori, é o segundo na intenção de votos, atrás do partido centrista Acción Popular, favorito de acordo com as últimas pesquisas de opinião. /EFE

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