Júri britânico evita absolver polícia no caso da morte de Jean Charles

Em duro golpe contra Scotland Yard, jurados de processo sobre morte de brasileiro optam por ?veredicto inconclusivo?

AP, EFE E REUTERS, O Estadao de S.Paulo

13 de dezembro de 2008 | 00h00

Um júri britânico rejeitou ontem absolver a Scotland Yard de sua responsabilidade no assassinato do eletricista brasileiro Jean Charles de Menezes, morto em 22 de julho de 2005, após ser confundido com um terrorista no metrô de Londres. A decisão foi considerada um duro golpe para a polícia metropolitana, que vinha tentando provar que a ação que resultou na morte do brasileiro tinha como objetivo proteger a população de um ataque suicida.Após cinco dias de deliberações, o corpo de jurados se decidiu por um "veredicto inconclusivo", rejeitando a outra única possibilidade que o caso permitia - a de "homicídio justificado". No início do mês, o responsável pelo inquérito, o juiz Michael Wright, sob o protesto dos parentes de Jean Charles, proibiu o júri de emitir um veredicto de "homicídio injustificado" (figura jurídica semelhante à do homicídio doloso).O júri - composto por dez pessoas - também rejeitou várias declarações feitas pela polícia durante as sete semanas de duração do inquérito. Em uma série de respostas a uma lista de questões cruciais, eles desconsideraram o testemunho do policial que atirou em Jean Charles, sugerindo que não acreditaram nas afirmações feitas pelo oficial de que ele tinha agido em autodefesa.Os jurados também rejeitaram a acusação de que o brasileiro teria se comportado de forma suspeita, como a polícia assegurou na época do incidente.As causas da morte de Jean Charles, segundo o júri, incluem uma série de erros - como falhas na comunicação; a não entrega de fotos mais nítidas do suspeito de terrorismo procurado pela polícia; e o fato de os policiais não terem parado o brasileiro antes de ele entrar na estação de metrô Stockwell. O eletricista foi morto com sete tiros ao ser confundido com o terrorista Hussein Osman.O inquérito encerrado ontem não é considerado um julgamento e é apenas convocado pela lei britânica para esclarecer os fatos quando alguém morre violentamente ou por causas desconhecidas. A família de Jean Charles comemorou a decisão e afirmou que pretende pedir a reabertura da investigação sobre a morte do eletricista (mais informações na página ao lado).REAÇÃO BRITÂNICAO comissário-chefe interino da Scotland Yard, Paul Stephenson, afirmou ontem que a polícia metropolitana cometeu um "erro terrível" na morte de Jean Charles e deve ser responsabilizada totalmente pela falha. O assassinato do brasileiro danificou severamente a reputação da Scotland Yard e pode ter interferido no recente pedido de demissão feito pelo ex-comissário Ian Blair, altamente criticado pela maneira com que lidou com o caso na época.

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