Júri de ex-líder africano é retomado e lembra casos brutais

O julgamento do ex-presidente daLibéria Charles Taylor foi reiniciado na segunda-feira com ostestemunhos de um especialista nos chamados "diamantes desangue" e o de um minerador de Serra Leoa, que contou ter tidoas mãos decepadas e a família queimada viva por rebeldes. Taylor é acusado de estupro, assassinato, mutilação erecrutamento de crianças para agir como soldados no TribunalEspecial para Serra Leoa, criado pela Organização das NaçõesUnidas para julgar os responsáveis pela guerra no país, entre1991 e 2002. O ex-presidente é acusado de tentar dominar os recursosminerais de Serra Leoa, em especial os diamantes, e de procurardesestabilizar o governo do país apoiando os rebeldes da FrenteRevolucionária Unida (RUF). A promotoria mostrou cenas de um documentário contando ahistória de um minerador de diamantes, que dizia que osrebeldes deceparam suas mãos e mataram sua mulher e seusfilhos. A primeira testemunha da acusação, Ian Smillie,especialista canadense nos diamantes de sangue, contrabandeadospara comprar armas, afirmou que a RUF usava a brutalidade paraafastar as pessoas das áreas de mineração, que lhes rendiam 125milhões de dólares ao ano. De acordo com Smillie, os diamantes eram a principal fontede financiamento da RUF, e a maior parte deles deixava SerraLeoa passando pela Libéria. Ele acrescentou que isso nãopoderia ter acontecido sem o conhecimento das autoridadesliberianas, e que o governo da Libéria dava total apoio à RUF. Aparentando tranquilidade no tribunal, Taylor, 59, oprimeiro ex-chefe de Estado africano a encarar uma corteinternacional, se disse inocente. Mais de 250 mil pessoas foram mortas durante as guerras naLibéria e em Serra Leoa. Os promotores querem criar umprecedente mundial com o julgamento e acabar com décadas deimpunidade no continente. A região possui uma geração inteira de amputados, emdecorrência do conflito.

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