Júri declara ex-assessor de Cameron culpado por escutas ilegais

Ex-editor do 'News of the World' foi acusado de integrar campanha para grampear telefones; ex-editora Rebekah Brooks foi absolvida

O Estado de S. Paulo

24 de junho de 2014 | 14h12

LONDRES - O ex-editor do jornal britânico News of the World e ex-assessor de imprensa do primeiro-ministro David Cameron entre 2007 e 2011, Andy Coulson, foi declarado culpado nesta terça-feira, 24, de fazer parte de uma campanha para grampear telefones e subornar autoridades na busca de notícias exclusivas.

A ex-editora do mesmo jornal Rebekah Brooks, antecessora de Coulson, foi absolvida por unanimidade após o julgamento de sete meses. Ao ouvir o veredicto, Brooks mostrou pouca emoção, mas foi auxiliada por uma enfermeira ao ser levada para fora do tribunal. A editora estava acompanhada do marido Charlie, que também foi absolvido de tentativa de obstrução de investigação.

Pouco depois do anúncio, Cameron disse que errou ao contratar Coulson como seu assessor em 2007. Em um clipe para a TV britânica, o premiê tentou limitar os danos à sua imagem apresentando um pedido de desculpas. "Eu sinto muito tê-lo empregado, foi a decisão errada. Eu perguntei se ele sabia sobre as escutas ilegais e ele disse que não. Eu aceitei suas garantias e dei-lhe o emprego."

O veredito contra Coulson ameaça prejudicar a reputação de Cameron antes da eleição nacional britânica no próximo ano. O Partido Trabalhista, da oposição, diz que o episódio mostra como o primeiro-ministro falha em suas avaliações.

News of the World, um tabloide de 168 anos, foi fechado pelo dono, Rupert Murdoch, em julho de 2011 em meio ao escândalo de escutas ilegais, que causou indignação popular.

Durante o julgamento, Coulson admitiu ter conhecimento de apenas uma situação de grampos ilegais, mas declarou que sua equipe não o informou sobre a atividade criminosa generalizada. A data do anúncio da sentença de Coulson, que pode ser condenado à prisão, ainda não foi definida. / EFE e REUTERS

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