Charlottesville Police Department/Handout via REUTERS
Charlottesville Police Department/Handout via REUTERS

Júri recomenda que motorista de Charlotesville pegue prisão perpétua

Juiz deve aceitar a recomendação dos jurados; pela lei da Virgínia, onde há pena de morte, ele não pode ser condenado a uma pena maior

O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2018 | 17h16

CHARLOTTESVILLE, EUA - Um júri recomendou nesta terça-feira, 11, a prisão perpétua e mais 419 anos de prisão para o motorista de Charlotesville, James Alex Fields Jr., que em agosto de 2017 matou uma mulher e feriu dezenas ao atropelar uma multidão que protestava contra uma manifestação de supremacistas brancos na cidade, no Estado de Virgínia. No início de dezembro, ele havia sido declarado culpado pelo tribunal.

O condenado permaneceu com as mãos fechadas enquanto o veredicto era lido pelo juiz Richard Moore. A sentença final será lida em uma audiência no dia 29 de março.

O júri decidiu o parecer após deliberar por quatro horas em dois dias. Os juízes de Virgínia frequentemente impõem as sentenças recomendadas pelo júri. Na lei do Estado, eles podem dar sentenças menores do que as recomendadas, mas não aumentá-las.

Antes de emitir a recomendação, o júri perguntou ao juiz se as sentenças iriam entrar em vigor consecutivamente ou simultaneamente. Moore disse que as sentenças costumam ser consecutivas, mas os jurados podem sugerir sentenças simultâneas se assim quiserem.

Os jurados tomaram a decisão em menos de duas horas na segunda-feira 10. Antes, ouviram o testemunho da mãe de Heather Heyer, morta aos 32 anos quando Fields conduziu o carro contra a multidão em Charlotesville. Ela disse que a morte da filha foi como “uma explosão em nossa família”. “Nós estamos para sempre marcados pela dor”, disse.

Jeanne “Star” Peterson disse que a vida tem sido um pesadelo desde que foi atingida pelo carro de Fields. Ela teve a perna direita quebrada e foi submetida a cinco cirurgias para tentar repará-la. Ela também teve a espinha dorsal quebrada e até agora não pôde retornar ao trabalho. “Eu terei de lidar com as consequências das escolhas de Fields para o resto da minha vida”, afirmou Jeanne.

Em agosto de 2017, Fields, com 21 anos, foi de Ohio à Virgínia para apoiar os supremacistas brancos. Depois da manifestação, um grande grupo de pessoas contrárias ao racismo marcharam por Charlotesville cantando e rindo. Fields parou o caro, deu ré e então acelerou em direção à multidão, segundo o testemunho das vítimas e de imagens mostradas aos jurados. / AP

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