EFE/ Alessandro Di Meo
EFE/ Alessandro Di Meo

Jurista é indicado como premiê da Itália 

O nome de Giuseppe Conte foi pactuado entre o M5S e a Liga Norte para formar o governo e agora precisa da aprovação do presidente Sergio Mattarella

O Estado de S.Paulo

21 Maio 2018 | 15h16

ROMA - O líder do Movimento 5 Estrelas (M5S), Luigi Di Maio, confirmou nesta segunda-feira, 21, que o nome do jurista Giuseppe Conte foi o escolhido junto com a Liga Norte para ocupar o cargo de primeiro-ministro do governo italiano.

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"Estamos diante de um momento histórico. Indicamos o nome de Giuseppe Conte ao presidente da república (Sergio Mattarella). Um nome que pode levar adiante o contrato de governo", explicou em uma nota postada nos perfis de Di Maio nas redes sociais.

Conte é professor de Direito, de 54 anos, e sem passado político. Seu nome foi pactuado entre o M5S e a Liga Norte para formar o governo, e agora o presidente da Itália, Sergio Mattarella, terá de dar seu consentimento e encarregá-lo de formar um Executivo.

Di Maio afirmou na nota que Conte será "um primeiro-ministro político de um governo político, proposto por duas forças" que foram votadas pelos italianos.

O líder do M5S também deu uma resposta aos que criticam o fato de seu movimento e da Liga Norte terem escolhido um primeiro-ministro que não foi votado nas urnas, ao afirmar que Conte "estava incluído na equipe de governo" do M5S quando esse apresentou sua lista de potenciais ministros antes das eleições de março.

Di Maio e o líder da Liga Norte, Matteo Salvini, conversaram hoje com Mattarella na sede da presidência da república e explicaram ao chefe de Estado o pacto de governo para a Itália que alcançaram após dez dias de negociações.

Após a reunião, Di Maio compareceu diante dos veículos de imprensa e disse que o país está "diante de um momento histórico" e o objetivo do governo que será formado pelo M5S e pela Liga Norte será "melhorar a qualidade de vida dos italianos".

Salvini, por sua vez, garantiu que o M5S e a Liga Norte estão agora à espera da decisão de Mattarella.

O presidente italiano deverá refletir sobre a indicação de Conte e se irá convocá-lo para encarregar a formação de governo.

Se o fizer, Conte deverá aceitar a incumbência como primeiro-ministro, apresentar sua lista de ministros e, depois, submeter seu Executivo à confiança no Parlamento, algo que não será complicado, já que o M5S e a Liga têm maioria nas Câmaras.

Após mais de dois meses desde as eleições de março, a Itália sai da paralisia na qual estava imersa para ser governada por dois grupos políticos que já adiantaram que aprovarão um subsídio de € 780 para pessoas com dificuldades econômicas, um imposto único para empresas, famílias e autônomos, que variará entre 15% e 20%.

Os dois grupos também se propõem a reformar o sistema de previdência, fechar todos os acampamentos considerados irregulares onde vivem pessoas de etnia cigana, introduzir a legítima defesa para os cidadãos em seus domicílios e solicitar aos aliados europeus uma revisão da política monetária, do Pacto de Estabilidade, do Pacto Fiscal e do Mecanismo Europeu de Estabilidade.

Sem passado político. Giuseppe Conte é professor de Direito Civil na Universidade de Florença, tem um grande escritório de advocacia e uma carreira acadêmica de prestígio, mas nenhuma experiência política. Aos 54 anos, nascido em Volturara Appula, cidade de 500 habitantes em Foggia, no sul da Itália, estudou em Roma e fez mestrado e doutorado nas universidade americanas de Yale e Niva York.

Os italianos o conheceram quando o M5S o apresentou em um programa de televisão, em 1º de março, antes das eleições legislativas, como membro da possível equipe de governo. Conte defendeu a ideia de abolir “leis inúteis” – cerca de 400 – para reforçar os regulamentos anticorrupção e promover a “meritocracia”. “Ele será um primeiro-ministro sem poder”, sustentou um editorial do jornal La Repubblica. “O M5S e a Liga não conseguiram chegar a um acordo sobre um político de peso para chefiar o governo, e foram forçados a nomear um tecnocrata”, lamentou o jornal. / AFP e EFE

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