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Juros e inflação: o profeta da nova heresia econômica

Autor diz que embora a alta do juro possa deter a inflação no curto prazo, na verdade ela contribui para elevar os preços num período maior

Helio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2017 | 05h00

O economista John Cochrane (foto), da Universidade Stanford, lançou há poucos dias uma nova versão do estudo, tido como herético pelos mais ortodoxos, em que propõe rever a relação entre juro e inflação. Em desafio às ideias que deram origem às políticas mundiais mais bem-sucedidas no combate ao dragão - de Paul Volcker a Gustavo Franco -, Cochrane postula um modelo tecnicamente conhecido como “neo-fisheriano”, defendido no Brasil pelo economista André Lara Resende e destrinchado em seu novo livro, Juros, moeda e ortodoxia. 

De acordo com essa visão - hoje mais relevante em debates acadêmicos que políticas públicas -, embora a alta do juro possa deter a inflação no curto prazo, na verdade ela contribui para elevar os preços num período maior. O principal motor inflacionário, diz Cochrane, é a desconfiança do mercado na capacidade fiscal de um governo honrar compromissos futuros. As contas públicas são, para ele, mais decisivas que o juro, e elevá-lo pode se revelar contraproducente. 

Na nova versão do estudo, Cochrane elabora essa ideia matematicamente, para concluir que não importa nem mesmo o tamanho dos compromissos e dívidas que um banco central absorve em seu balanço - desde que mantida a sanidade fiscal para honrá-los ao longo do tempo.

Hesitação de Obama custou a eleição?

Em extensa reportagem, o Washington Post revelou que o ex-presidente Barack Obama recebeu, em agosto passado, provas irrefutáveis do envolvimento de Vladimir Putin nos ataques digitais para tentar interferir no resultado das eleições americanas em favor de Donald Trump. Chamou a atenção de Putin num encontro na China. Mas, confiante na vitória de Hillary Clinton, hesitou até o fim do mandato sobre a reação a tomar. O Post afirma ter obtido acesso às provas, mantidas em sigilo a pedido de autoridades.

O divórcio entre imprensa e eleitor nos EUA

A vitória republicana nas quatro últimas eleições especiais nos Estados Unidos, convocadas para preencher vagas de parlamentares que assumiram cargos no Executivo, demonstrou que o eleitor americano parece não dar a menor bola para a extensa cobertura que a imprensa tem feito dos escândalos relacionados à Rússia.

Amigos, amigos - arapongagem à parte

Quando os documentos furtados da Agência Nacional de Segurança (NSA) por Edward Snowden mostraram que os Estados Unidos espionaram o celular da chanceler alemã, Angela Merkel, ela reagiu: “Entre amigos, isso não se faz”. Pois a revista Spiegel descobriu que, entre 1998 e 2005, o serviço secreto alemão tentou espionar alvos em solo americano como Lockheed Martin, Nasa, Human Rights Watch, Força Aérea, Agência de Inteligência da Defesa, FMI, Banco Mundial, Liga Árabe - e, claro, Casa Branca.

A diferença entre  Snowden e Assange

O traiçoeiro Julian Assange (foto) de Risk, novo documentário de Laura Poitras, contrasta com o heroico Snowden apresentado por ela em Citizenfour, que lhe rendeu um Oscar. Snowden fez vazar segredos da NSA que mostravam como o governo americano invadia a privacidade de cidadãos comuns. “Assange, em contraste, não parece ter interesse na privacidade de ninguém que não seja ele próprio”, diz a crítica Sue Halpern. “Comunicações privadas, informações pessoais, conversas íntimas, tudo é jogo limpo para ele. Ele chama esse niilismo de ‘liberdade’.”

O revival das máquinas de escrever

Estreia em breve nos cinemas americanos o documentário California Typewriter, de Doug Nichol, com Tom Hanks e John Mayer. Premiado em festivais, o filme descreve como uma loja especializada na venda e no reparo de máquinas de escrever de Berkeley mantém seu negócio em plena era digital. Tem despertado nos Estados Unidos uma febre semelhante à que fez reviver os discos de vinil. Já foi lançada até uma máquina capaz de armazenar na nuvem os textos batidos - não digitados, certo?

O Vale do Silício contra o assédio sexual

A devassa contra o assédio sexual no Vale do Silício não para na renúncia de Travis Kalanick, CEO da Uber acusado de sabotar investigações sobre estupro e de ser complacente com o machismo. Metade das mulheres que trabalham na indústria tecnológica se diz alvo de avanços sexuais de capitalistas de risco, revela o site The Information. O acusado mais recente, por pelo menos seis, é o fundador da Binary Capital, Justin Caldbeck. Em nota, ele nega as acusações.

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