Manuel Balce/AP
Manuel Balce/AP

Justiça adia por três meses processo de atriz pornô contra Trump

Defesa do presidente recorreu à 5ª Emenda, que concede o direito de não prestar depoimento para evitar que se incrimine

O Estado de S.Paulo

27 Abril 2018 | 22h55

LOS ANGELES - O juiz encarregado do processo apresentado pela atriz pornô Stormy Daniels contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu nesta sexta-feira, 20, adiar o caso em 90 dias, após o advogado do líder americano ter seguido a Quinta Emenda da Constituição do país. Essa opção concede a qualquer pessoa o direito a não prestar depoimento para evitar que incrimine a si mesmo por um crime.

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O advogado de Trump, Michael Cohen, ressaltou que, como há fatos subjacentes a este processo civil e aos de uma investigação criminal em paralelo, o adiamento era justificável, e o juiz concordou.

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O objetivo de Michael Avenatti, advogado de Daniels, é que Trump admita a existência de um suposto pacto de confidencialidade relacionado a uma relação sexual entre o governante e a atriz em 2006, pouco depois que o agora presidente se casasse com a primeira-dama, Melania Trump.

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Na quinta-feira Trump reconheceu pela primeira vez que Cohen o representa no litígio com Daniels, a qual o advogado tentou silenciar com um pagamento que agora está sujeito a uma investigação criminal federal.

No início deste mês, Trump garantiu que não sabia que Cohen tinha pago US$ 130 mil a Daniels durante a campanha presidencial de 2016 e que também não sabia de onde o advogado tirou o dinheiro para evitar que a atriz falasse sobre a relação sexual que supostamente teve com o líder.

Cohen disse que fez o pagamento à atriz pornô com o próprio dinheiro, usando uma linha de crédito garantida com o seu imóvel. O ato pode ter violado as leis sobre financiamento eleitoral, ao ser considerado que tinha como objetivo preservar uma boa imagem de Trump, como candidato, em um momento especialmente crítico do processo eleitoral.

Essa admissão de Trump deu um novo giro ao caso, dado que Cohen está sujeito a uma investigação criminal da Polícia Federal Americana (FBI, na sigla em inglês) e da Procuradoria do distrito sul de Nova York.

Há duas semanas, os agentes do FBI inspecionaram os escritórios de Cohen em Nova York e o quarto do hotel onde se hospeda, e apreenderam materiais relacionados a diversos temas, entre eles o trabalho do advogado para negociar um acordo com Daniels.

"A importância da batida do FBI não pode ser subestimada. Isso não é uma simples investigação criminal, é uma investigação sobre o advogado pessoal do atual presidente sobre documentos que podem se referir aos privilégios entre o advogado e o seu cliente", disse o juiz na decisão.

Avenatti escreveu pelo Twitter que respeitava a decisão de Otero, mas que não estava de acordo, por isso provavelmente apresente um recurso na semana que vem. A previsão é que o caso seja retomado no dia 27 de julho. /EFE

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