REUTERS/Brian Snyder
REUTERS/Brian Snyder

Justiça americana indicia autor de massacre de Charleston por crimes de ódio

Dylann Roof, de 21 anos, que defendeu a supremacia branca em manifesto divulgado na web, pode ser condenado à pena de morte

O Estado de S. Paulo

22 de julho de 2015 | 17h29

WASHINGTON - O extremista branco Dylann Roof, que assumiu a autoria do massacre em junho em uma igreja da comunidade negra em Charleston, na Carolina do Sul, no qual nove pessoas foram mortas, foi indiciado ontem por crime de ódio e dezenas de outros crimes federais, incluindo algumas acusações que podem fazer com que ele seja condenado à morte.

O anuncio do indiciamento foi feito pela Secretária de Justiça dios EUA, Loretta Lynch, que decidiu apresentar acusações federais contra Roof por crimes de ódio por considerar que ele se guiou por motivos raciais quando invadiu uma histórica igreja e abriu fogo contra um grupo de pessoas que liam textos bíblicos.

"Os fiéis tinham Bíblias. Dylann tinha sua pistola de calibre 45 e oito carregadores com balas de ponta oca", destacou Lynch ao anunciar a acusação, acrescentando que o pedido final da pena de morte para o acusado dependerá do desejo dos familiares das vítimas, que em alguns casos disseram ter perdoado o assassino.

De acordo com fontes do sistema de Justiça dos EUA que se manifestaram de forma anônima, Rooof, de 21 anos, foi indiciado pelo Grande Júri em 33 acusações federais. O acusado já responde por nove acusações de assassinato em uma Corte da Carolina do  Sul, que também pode condená-lo à morte.

Ainda não está claro como o indiciamento por crimes federais poderá afetar o julgamento de Roof na Corte da Carolina do Sul. Anteriormente, autoridades do FBI e do Departamento de Justiça tinham dito que o caso de Charleston, por ser  tão grave e ter motivação racial, deveria ser tratado na esfera federal. O Departamento de Justiça pode, no entanto, postergar o caso para aguardar o julgamento na esfera estadual antes de decidir se continua ou não com um segundo júri.

O indiciamento do acusado por um júri federal era esperado desde que ele foi preso um dia depois do ataque, durante uma blitz rodoviária na cidade de Shelby, na Carolina do Norte. Na semana passada, o julgamento de Roof foi marcado para 11 de julho de 2016, pouco mais de um ano após o massacre.

Racista. As autoridades ligaram Roof a um manifesto racista publicano na internet e afirmaram que ele esteve em contato com grupos que defendem a supremacia branca antes do ataque na Igreja Metodistas Episcopal Africana Emanuel.

O manifesto, chamado de "o último rodesiano", em referência ao antigo regime segregacionista do país africano - atual Zimbábue - também era acompanhado de 60 fotos. Em algumas delas, Roof aparece com uma arma e a bandeira dos confederados do Sul, que se levantaram contra o Norte e a abolição na Guerra Civil (1861-1865). A bandeira é considerada um símbolo do período escravocrata.

"Eu escolhi Charleston porque é a mais histórica cidade do meu Estado e em certo momento teve a mais elevada relação de negros para brancos no país. Nós não temos skinheads, nenhuma KKK (Ku Klux Klan) real, ninguém fazendo nada além de falar na internet. Bem, alguém tem de ter a coragem para levar isso ao mundo real e eu imagino que tenha de ser eu", dizia o manifesto. 

O massacre gerou um grande debate nos EUA sobre a permanência da bandeira confederada em prédios públicos do país. No começo do mês, os legisladores da Carolina do Sul aprovaram uma lei, sancionada no dia seguinte pela governadora republicana Nikki Haley, ordenando a remoção do símbolo que estava hasteado no terreno do Capitólio estadual. / AP, EFE e NYT

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