Justiça aperta o cerco contra Berlusconi

Promotores querem acelerar julgamentos de processos contra ex-primeiro-ministro

MILÃO, / REUTERS e AP, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2013 | 02h01

Os revezes judiciais de Silvio Berlusconi aumentaram ontem, quando os promotores solicitaram o julgamento acelerado do ex-primeiro-ministro acusado de corrupção e os juízes do caso Ruby ordenaram uma visita médica para verificar os problemas de saúde do líder italiano.

As manobras judiciais ocorrem em um momento particularmente delicado para o país, que tenta formar um governo estável depois das eleições inconclusivas dos dias 24 e 25.

O líder do Partido Democrático, Pier Luigi Bersani, o primeiro colocado, descartou a possibilidade de uma aliança com a coligação de centro-direita de Berlusconi, a segunda mais votada. As opções de Bersani, porém, são limitadas, porque o comediante Beppe Grillo, transformado em líder político, cujo movimento foi o terceiro mais votado, recusa-se a alinhar-se com qualquer um dos principais partidos. As conversações começarão no dia 20 de março, depois que o Parlamento se reunir e escolher os líderes de ambas as casas.

Berlusconi tenta conseguir o adiamento de dois processos na Justiça em razão de uma conjuntivite que o mantém hospitalizado desde a sexta-feira. Os juízes que julgam o recurso sobre fraudes fiscais de Berlusconi, no entanto, continuaram com a audiência de sábado, quando os médicos indicados pelo tribunal afirmaram que sua doença não era suficientemente grave para impedir seu comparecimento em juízo.

Em outra frente, no caso Ruby, a Justiça concedeu o pedido de adiamento da audiência e ordenou uma nova visita dos médicos para verificar a gravidade de sua doença. Os advogados do ex-premiê apresentaram três atestados médicos que destacam uma inflamação da vista e um problema cardíaco, para respaldar a necessidade de novo adiamento.

A promotora Ilda Boccassini deve resumir suas alegações finais no processo no qual Berlusconi é acusado de pagar por sexo com Ruby, uma adolescente marroquina, e por usar sua influência para acobertar o fato.

Angelino Alfano, líder do partido O Povo da Liberdade, de Berlusconi, disse que a pressão para concluir os casos é "uma tentativa de eliminar Berlusconi pelos meios judiciais, depois do fracasso da alternativa eleitoral".

Ontem, Alfano liderou um grupo de legisladores de centro-direita recentemente eleito para protestar no tribunal contra o tratamento dado a Berlusconi. Eles cantaram o hino italiano em frente à corte, entraram no edifício e saíram pouco depois.

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