EFE/ARCHIVO/Leo La Valle
EFE/ARCHIVO/Leo La Valle

Justiça argentina avança contra empresário kirchnerista e ex-vice

Preso em abril, Báez é um potencial delator na investigação que apura corrupção no governo de Cristina Kirchner

Rodrigo Cavalheiro CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES , O Estado de S. Paulo

02 de setembro de 2016 | 20h36

A Justiça argentina ordenou nesta sexta-feira, 2, operações de busca em 53 imóveis do empreiteiro kirchnerista Lázaro Báez, em Buenos Aires, para calcular seu patrimônio. Em ações semelhantes, no mês passado, foram contabilizadas 150 propriedades avaliadas em US$ 150 milhões. Ele declarou US$ 4,5 milhões em bens.

Preso em abril, Báez é um potencial delator na investigação que apura corrupção no governo de Cristina Kirchner. No escândalo Hotesur, ele é suspeito de alugar quartos em hotéis da família Kirchner nunca ocupados, um indício de lavagem de dinheiro. Em outra investigação, batizada a “Rota do Dinheiro K”, ele é acusado de ser o elo entre propinas pagas por concessões de obras públicas e contas em paraísos fiscais em nome dele e seus filhos.

Ao vasculhar os imóveis de Báez, a Justiça age em sintonia com parte da bancada governista. A deputada Eliza Carrió lidera o bloco que pressiona pela prisão da ex-presidente e acusa parte de seus aliados de querer manter Cristina livre para dividir a oposição. Báez não comprometeu diretamente a ex-presidente nos depoimentos, mas reclama que há gente acima dele envolvida em corrupção e só sua construtora é investigada.

A ação de ontem foi solicitada pelo promotor Guillermo Marijuan, autor do pedido para que a ex-presidente seja proibida de deixar o país. Em áudio que vazou na semana passada, ele diz ter deixado Cristina “à beira da prisão”. Segundo aliados da ex-presidente, ela seria candidata ao Senado em 2017.

“Essa e outras acusações podem deixar Cristina fora de qualquer disputa. E nem é preciso que seja presa, basta que se decida por sua inabilitação”, diz o consultor Ricardo Rouvier. Sua última pesquisa dá a Cristina 43% de imagem positiva, enquanto Mauricio Macri tem 47%.

Em ação paralela que também atinge o governo anterior, o ex-vice-presidente Amado Boudou teve ontem US$ 200 mil embargados pela Justiça em razão da compra de 19 carros de luxo para o ministério da Economia, quando ele era titular da pasta. Boudou responde a várias acusações por corrupção e fraude. 

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