Justiça argentina condena torturadores da ditadura militar

Cerca de 1.500 civis foram vítimas de tortura; militares foram acusados de 181 crimes

Ariel Palácios, correspondente em Buenos Aires

22 de dezembro de 2010 | 09h29

BUENOS AIRES - O Tribunal Oral Federal Número 2 da capital argentina anunciou, ontem à noite, o veredicto para 17 ex-torturadores da ditadura militar (1976-83) que atuaram nos campos de detenção e tortura de El Olimpo, Club Atlético e Banco. Cerca de 1.500 civis, entre os quais velhos e crianças, foram detidos, torturados e assassinados.

 

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Do grupo, os dois ex-torturadores mais famosos são Julio "El Turco" Simón e Samuel Miara, dois ex-policiais que operavam no "circuito" dos três centros de detenção. Ambos foram condenados à prisão perpétua. Os ex-torturadores foram acusados de 181 crimes, entre os quais torturas, sequestros, estupros e assassinatos.

 

Miara, além das torturas, ficou notório por sequestrar dois bebês, filhos de uma prisioneira política, com os quais fugiu para o Paraguai. Simón era famoso por estuprar as prisioneiras na frente de seus maridos, com a justificativa de que o fazia "pela Pátria". Ele ficou conhecido por seu sadismo extremo com os prisioneiros judeus e deficientes físicos. Ele ostentava frequentemente uma braçadeira com uma suástica e durante as sessões de tortura ouvia marchas alemãs e discursos de Adolf Hitler.

 

Na noite de terça, Simón quis sair da sala do tribunal quando os juízes estavam lendo sua sentença. No entanto, o tribunal não permitiu que se ausentasse durante a leitura. Simón retrucou: "mas estou a ponto de urinar em minhas calças!". A juíza Maria Garrigós de Rébori deu a tréplica: "não pode sair da sala". Durante o regime militar, Simón definia a si próprio como "Deus da vida e da morte".

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