Justiça argentina encerra polêmica envolvendo Kirchner

O juiz Claudio Bonadío anunciou nesta terça-feira que encerrou a polêmica causada pelo suposto anúncio da descoberta de 46 fitas com gravações de grampos telefônicos com informações sobre a organização do atentado realizado contra a associação beneficente judaica AMIA, em 1994. Segundo Bonadío o caso estava jurídicamente concluído, já que considerou que não passava de "uma confusão". O episódio das fitas ameaçava transformar-se em uma grande dor de cabeça para o governo argentino, já que envolvia diretamente o presidente Néstor Kirchner. O caso iniciou na segunda-feira da semana passada, quando Kirchner - durante uma reunião com as mais altas autoridades da comunidade judaica do país - afirmou que a Polícia Federal e a Side (o serviço secreto argentino) haviam descoberto 46 fitas (deum grupo original de 60) que continham a gravação de grampos telefônicos que estavam desaparecidos há nove anos.A notícia sobre a descoberta das gravações, que dariam uma guinada nas investigações sobre o atentado causaram grande expectativa na comunidade judaica. Mas, 24 horas depois, Kirchner desmentiu a descoberta das fitas, indicando que o presidente da AMIA, Abraham Kaul, havia entendido mal o que dissera. Segundo Kirchner, ele apenas havia falado sobre os "recibos" assinados pelos policiais que teriam levado as fitas.As explicações do governo não conseguiram convencer a opinião pública nem os analistas políticos. A comunidade judaica, que respaldava Kirchner, agora o chama de "irresponsável". Perante o juiz Bonadío, Kaul sustentou que havia escutado a palavra "fitas". Outras testemunhas presentes à reunião concordaram com Kaul.Alguns analistas especulam que a única explicação sensata é que a Polícia Federal ou a Side tenham preparado uma "armadilha" para o presidente. Outros analistas argumentam que a forma apressada de ser levou Kirchner a anunciar a descoberta das fitas, quando não passava apenas de uma possibilidade.

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