Juan Ignacio Roncoroni/EFE
Juan Ignacio Roncoroni/EFE

Justiça argentina revoga prisão preventiva de Cristina Kirchner

Ex-presidente do país é investigada por memorando entre nação e o Irã, em caso que começou com denúncia do promotor Alberto Nisman

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2019 | 23h39

A Justiça argentina revogou nesta segunda-feira, 23, a ordem de prisão preventiva que pesava sobre a vice-presidente do país, Cristina Kirchner, pela assinatura em 2013 de um memorando de entendimento entre a nação e o Irã, informou um dos advogados da ex-mandatária à agência Efe.

O Tribunal Penal Federal Federal 8 decidiu anular a medida no contexto do caso que investiga o suposto acobertamento de terroristas iranianos que atacaram uma associação judaica em Buenos Aires em 1994, deixando  85 mortos. O crime teria permanecido impune graças a um pacto entre o executivo de Kirchner e o governo do país persa.

O acordo – que na Argentina foi declarado inconstitucional e no Irã não foi validado – teve como objetivo estabelecer uma investigação conjunta sobre o ataque à AMIA mútua de Buenos Aires, cuja autoria é atribuída ao grupo Hezbollah e às exaltados encargos iranianos.

Embora, há dois anos, o magistrado federal Claudio Bonadio tenha ditado a acusação da atual vice-presidente por crimes de traição e encobrimento agravado e tenha pedido sua prisão, essa medida não pôde ser executada devido aos privilégios que Kirchner tinha por seu cargo de Senadora. O caso começou após uma denúncia do promotor Alberto Nisman, que alguns dias depois de fazer a acusação contra Fernández foi encontrado em seu apartamento com um tiro na cabeça, uma morte que ainda não foi esclarecida e gera grande controvérsia no país. 

A investigação do memorando com o Irã também levou a depor em julho como testemunha o atual presidente argentino, Alberto Fernández, que assumiu o cargo em 10 de dezembro. Apesar dessa revogação, a vice-presidente ainda enfrenta diferentes pedidos de prisão preventiva em outros casos em que é acusada de corrupção.

Em seu discurso de posse há duas semanas, Alberto Fernández reivindicou uma "Justiça independente" e reivindicou o fim do que considerava um sistema judicial que segue os ditames do "poder", para o qual proporá uma reforma do sistema judicial. /EFE

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