Acervo/ Estadão
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Justiça brasileira autoriza exumação de ex-ditador paraguaio para teste de paternidade

O pedido de exumação foi feito por Enrique Alfredo Fleitas, que alega ser filho do paraguaio, e contou com aval da única herdeira viva do ditador

Rafael Moraes Moura / Brasília, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2020 | 20h14

A Justiça brasileira autorizou a exumação do cadáver do ditador paraguaio Alfredo Stroessner (1912-2006) para a realização de um exame de DNA. O objetivo da medida é realizar um “teste de paternidade” nos restos mortais do militar paraguaio, que comandou o governo de Assunção por quase 35 anos, até ser deposto. No ano passado, Stroessner foi homenageado pelo presidente Jair Bolsonaro, que elogiou presidentes militares na posse do novo diretor da Itaipu Binacional.

O pedido de exumação foi feito por Enrique Alfredo Fleitas, que alega ser filho do paraguaio, e contou com o aval de Graciela Concepción Stroessner Mora. Única herdeira viva do ditador, Graciela concordou com a exumação do cadáver do pai. 

Por determinação da Justiça, o cemitério Campo da Esperança deverá informar a localização do túmulo às autoridades e apresentar informações sobre o andamento dos trabalhos. A análise ficará a cargo do Instituto de Pesquisa de DNA da Polícia Civil do DF.

O Estadão tentou entrar em contato com a defesa de Enrique Alfredo Fleitas, mas não obteve resposta até a publicação deste texto.

Alvo de pedidos de extradição e de denúncias de crimes políticos e contra os direitos humanos, Stroessner se exilou no Brasil em 1989. Em 2006, morreu aos 93 anos em Brasília, após se submeter a uma cirurgia para tratar uma hérnia e ter o quadro clínico piorado por conta de uma pneumonia.

Governo

Stroessner alcançou a patente de general-de-divisão do Exército em 1954, aos 42 anos, e liderou em seguida o golpe que destituiu o então presidente Federico Chávez. Por meio de processos eleitorais viciados, foi reeleito presidente do Paraguai por oito vezes sucessivas, tornando-se o segundo governante que exerceu o poder por mais tempo na América Latina, atrás do cubano Fidel Castro.

Manteve estreitas relações com os EUA e foi acusado de abrigar ex-nazistas, enriquecer por meio de corrupção e tolerar atividades de contrabando durante a ditadura paraguaia.

No ano passado, a descoberta de três crânios e outros restos humanos enterrados no banheiro de uma mansão do general Stroessner chocou o Paraguai, onde as autoridades investigam se correspondem a corpos dos mais de 400 desaparecidos da mais longa ditadura da América do Sul.

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