AP Photo/Frank Augstein
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Justiça britânica decide se retirará ordem de prisão contra Assange

Audiência marcada para terça-feira pode suspender mandado contra o fundador do Wikileaks, o que abriria caminho para ele deixar a embaixada do Equador depois de mais de 5 anos de reclusão

O Estado de S.Paulo

05 Fevereiro 2018 | 11h21

LONDRES - A Justiça britânica decidirá na terça-feira, 6, se retirará o mandado de prisão contra Julian Assange, o que poderia abrir caminho para ele sair da embaixada do Equador depois de mais de cinco anos de reclusão.

Assange pede à Justiça britânica que retire mandado de prisão

Assange buscou refúgio na embaixada fugindo de um mandado de prisão europeu porque a Suécia o reivindicava como suspeito de crimes sexuais. A Justiça sueca arquivou a investigação, mas a polícia britânica ainda quer prendê-lo por violar os termos de sua liberdade condicional.

Em uma audiência na semana passada, o advogado do fundador da WikiLeaks, Mark Summers, disse que o mandado de prisão "perdeu o propósito e a função". Summers estimou que Assange vivia em condições "semelhantes ao encarceramento" e sua "saúde psicológica se deteriorou".

No entanto, o promotor Aaron Watkins considerou "absurda" a demanda de Assange, que teme sair da embaixada e acabar em uma prisão dos Estados Unidos por ter vazado milhares de segredos oficiais deste país.

‘Time’ lista ‘fugitivos mais procurados’ em 2018

No ano passado, o procurador-geral dos EUA, Jeff Sessions, afirmou que a prisão do fundador do Wikileaks era "uma prioridade" para o país.

A demanda da Assange acontece pouco depois do Equador lhe conceder cidadania e status diplomático. O Reino Unido indicou, no entanto, que tal procedimento não alterava a situação jurídica de Assange.

"O Equador sabe que a única maneira de resolver esta questão é que Assange deixe a embaixada para enfrentar a justiça", afirmou um porta-voz do ministério das Relações Exteriores britânico.

A situação de Assange tornou-se "uma pedra no sapato" do Equador, de acordo com seu presidente Lenin Moreno, que herdou o problema de seu antecessor e agora adversário Rafael Correa.

Em várias ocasiões, o governo de Quito criticou o fato de seu hóspede interferir em assuntos de países terceiros, como nas últimas eleições dos EUA - nas quais o Wikileaks divulgou mensagens comprometedoras da campanha da candidata Hillary Clinton - ou na recente crise política na Catalunha, onde se posicionou em favor dos independentistas. / AFP

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