EFE/EPA/ANDY RAIN
EFE/EPA/ANDY RAIN

Justiça britânica examina pedido de extradição de Assange aos Estados Unidos

Australiano pode ser condenado a até 175 anos de prisão por vazar documentos confidenciais

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2020 | 11h35

LONDRES - A justiça britânica analisa, nesta segunda-feira, 24, o pedido de extradição do fundador do Wikileaks, Julian Assange, pela justiça dos Estados Unidos, onde é acusado pela publicação de centenas de milhares de documentos confidenciais.

Em uma sala lotada no tribunal de Woolwich (sudeste de Londres), cheia de jornalistas e de simpatizantes de Assange, o australiano de 48 anos apareceu com um semblante calmo e atento. Ele tomou a palavra para confirmar sua identidade. Considerado um paladino da liberdade de expressão por dezenas de seguidores que se reuniram diante do edifício, ele pode ser condenado a até 175 anos de prisão nos Estados Unidos. Ele é acusado de atuar como hacker e com espionagem.

Personagem polêmico, o australiano declarou em uma audiência preliminar que se negava a "submeter-se a uma extradição por um trabalho jornalístico que recebeu muitos prêmios e protegeu muitas pessoas".

Detido na prisão de segurança máxima de Belmarsh, adjacente ao tribunal, Assange terá que comparecer durante toda a semana à Woolwich Crown Court. Depois, a audiência será retomada em 18 de maio, por três semanas.

Em um primeiro momento, ele foi acusado de hackear, mas em maio do ano passado a justiça americana apresentou 17 acusações adicionais com base na lei antiespionagem. Os simpatizantes de Assange denunciam que as acusações representam um grave perigo para a liberdade de imprensa. 

A Justiça dos Estados Unidos o acusa principalmente de ter colocado em perigo algumas de suas fontes ao publicar, no Wikileaks em 2010, 250 mil telegramas diplomáticos e meio milhão de documentos confidenciais sobre as ações do exército americano no Iraque e no Afeganistão.

Agora, a justiça britânica precisa determinar se a demanda de extradição respeita vários critérios legais e, sobretudo, se não é desproporcional ou incompatível com os direitos humanos. 

Assange está detido na penitenciária de segurança máxima de Belmarsh desde que foi expulso da embaixada de Equador há 10 meses. Na última audiência preliminar, na quarta-feira passada, a defesa de Julian Assange alegou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu conceder indulto ao australiano se ele negasse que a Rússia vazou e-mails que prejudicaram sua rival Hillary Clinton. 

A Casa Branca, no entanto, negou a alegação. O Wikileaks publicou em 2016, em um momento crucial da campanha presidencial americana, milhares de e-mails hackeados do Partido Democrata e da equipe da então candidata Hillary Clinton, que a enfraqueceram na disputa pela Casa Branca. / AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.