Justiça britânica nega fiança a Assange

Assange se entregou nesta terça; australiano permanecerá sob custódia até dia 14 de dezembro

Associated Press

07 de dezembro de 2010 | 14h05

Julgamento. Momento em que Assange chegou ao tribunal de Londres.

 

LONDRES - Um juiz britânica negou nesta terça-feira, 7, fiança ao fundador do WikiLeaks, Julian Assange, e definiu que o australiano deverá ser mantido sob custódia até o dia 14 de dezembro.

 

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Assange se entregou nesta terça à Polícia Metropolitana de Londres. O australiano é procurado pela Justiça sueca por crimes sexuais e esteve no Reino Unido nos últimos dias. Promotores suecos abriram, suspenderam, e depois reabriram a investigação sobre as alegações.

 

Gemma Lindfield, funcionária da Justiça sueca, disse à corte que Assange é procurado por coerção ilegal, molestamento sexual e molestamento deliberado. Com uma das vítimas, ele teria feito sexo sem camisinha enquanto a mulher queria o uso de preservativos (o que configura a segunda acusação) e abusado dela de modo a violar sua integridade física (o que configura a terceira). Ainda há uma quarta acusação de que ele teria transado com uma segunda vítima sem preservativos enquanto a mulher dormia.

 

O juiz Howard Riddle argumentou que a fiança foi negada por conta dos riscos de Assange não render posteriormente se fosse colocado em liberdade. A promotoria desejava a rejeição da fiança com base na segurança do australiano, caso ele estivesse livre. Há relatos de que um doador anônimo teria oferecido até 60 mil libras para pagar a fiança.

 

Riddle ainda decretou que Assange ficará até o dia 14 de dezembro sob custódia. O juiz deixou claro que a prisão e o processo contra Assange "não tem a ver com o WikiLeaks". O site tem sido o principal motivo para que o caso de Assange ganhasse a atenção da mídia, uma vez que seu site tem divulgado, desde o domingo passado, documentos diplomáticos secretos dos EUA.

 

O australiano se entregou acompanhado de Mark Stephens e Jennifer Robinson, seus advogados britânicos. Sua rendição foi feita sem alarde para evitar a aglomeração de repórteres na delegacia. Seu paradeiro não havia sido divulgado anteriormente. Um vídeo de Assange será divulgado ainda nesta terça, embora não haja detalhes sobre seu conteúdo.

 

Assange nega as acusações de crime sexual. O crime de que ele está sendo acusado é o menos grave de três categorias de estupro. A pena máxima prevista é de quatro anos na prisão. Os crimes pelos quais ele é acusado teriam sido cometidos em agosto deste ano, em Estocolmo e Enkoping, 80 quilômetros a noroeste da capital sueca.

 

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O australiano, de 39 anos, também é procurado pela Interpol. Ele é considerado o responsável pelo constrangimento causado aos EUA com a divulgação dos mais de 250 mil documentos diplomáticos sigilosos, que revelaram bastidores e segredos da política externa dos EUA.

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