Justiça chilena interroga ex-agentes de Pinochet

Dois oficiais da reserva do Exército, ex-agentes da polícia secreta do general Augusto Pinochet, foram judicialmente interrogados nesta quarta-feira sobre o assassinato, em Buenos Aires, do general Carlos Prats, ex-comandante do Exército durante o governo do falecido presidente socialista Salvador Allende, derrubado por Pinochet.É a primeira vez em que membros do Exército têm de responder perante a Justiça chilena sobre seu papel nas mortes de Prats e de sua mulher, Sofía Cuthbert, em 1974. Prats e Sofía morreram vítimas de uma bomba instalada em seu automóvel particular por agentes da polícia secreta de Pinochet, segundo apurou uma investigação judicial argentina. O general Raúl Iturriaga Neumann e o brigadeiro José Zara, ambos da reserva, responderam às perguntas do juiz especial Alejandro Solís nas dependências de um hotel do Exército. No final do interrogatório, Zara desqualificou a Justiça argentina e a juíza encarregada do caso, María Servini de Cubria.Na quinta-feira, dois outros ex-agentes serão interrogados sobre o caso: o brigadeiro Pedro Espinoza e o civil Jorge Iturriaga Neumann, irmão do oficial processado pelo mesmo assassinato.E na sexta-feira deverá prestar declarações o ex-chefe da DINA, a polícia secreta de Pinochet, general, atualmente na reserva, Manuel Contreras. O julgamento dos militares foi aberto no Chile em dezembro, por ordem da Corte Suprema, que negou a extradição para a Argentina da cúpula da DINA, mas ordenou a abertura de um processo sobre o crime em território chileno.

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