Justiça chilena investiga pela 1ª vez morte de Salvador Allende

Ex-presidente teria cometido suicídio durante golpe militar que levou Pinochet ao poder

Efe

27 de janeiro de 2011 | 15h49

SANTIAGO DO CHILE - A Justiça chilena averiguará pela primeira vez as circunstâncias da morte do ex-presidente Salvador Allende, falecido em 11 de setembro de 1973 durante o golpe militar de Augusto Pinochet, informaram nesta quinta-feira, 27, fontes judiciais.

 

O caso do ex-líder da Unidade Popular (UP) está entre as 726 denuncias de violações dos direitos humanos até agora desconhecidas pela Justiça e que foram apresentadas nesta quarta-feira pela procuradora da Corte de Apelações de Santiago do Chile, Beatriz Pedrals.

 

A procuradora apresentou as denúncias perante o juiz Mario Carroza, em sua qualidade de representante do Ministério Público Judicial, que agora deverá investigar as circunstâncias da morte de Allende, que sempre foi atribuída a um suicídio no interior do Palácio de La Moneda (sede de Governo).

 

As ações ajuizadas na quarta-feira correspondem a casos de violações aos direitos humanos ocorridos durante a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990), para as quais não tinham sido abertos processos até agora.

 

As denúncias foram apresentadas depois que no ano passado o magistrado da Corte Suprema do Chile, Sergio Muñoz, em sua qualidade de coordenador de direitos humanos, detectou a existência de casos de vítimas de violações de direitos humanos nos quais não existiam ações abertas por seus representantes.

 

Perante isso foi elaborado um cadastro para verificar o número total de pessoas que figuravam nesta qualidade e a procuradora foi encarregada de redigir as denúncias.

 

Segundo dados oficiais, durante a ditadura de Augusto Pinochet cerca de 2,3 mil pessoas morreram pelas mãos de agentes do Estado, das quais 1.192 ainda têm a condição de presos desaparecidos.

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