Justiça condena à morte vice-presidente do Iraque

Decisão deve intensificar tensões políticas e sectárias entre sunitas e xiitas; mais de 100 pessoas foram mortas em violentos ataques no fim de semana

BAGDÁ, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2012 | 03h01

O vice-presidente do Iraque, Tariq al-Hashemi, foi condenado ontem à morte por enforcamento por uma corte iraquiana, que o considerou culpado por dois assassinatos, em uma decisão que pode renovar tensões políticas e sectárias no país. Uma série de atentados - principalmente contra integrantes de forças de segurança e civis xiitas - deixou mais de 100 mortos e cerca de 350 feridos entre o sábado e a noite de ontem.

Julgado à revelia, Hashemi nega as acusações, afirmando que elas têm motivação política. Ao ter a prisão decretada, em dezembro, o vice-presidente fugiu para a região semiautônoma do Curdistão iraquiano, cuja administração se recusou a entregá-lo para o governo central. Depois de passar pelo Catar e pela Arábia Saudita, ele refugiou-se na Turquia.

O vice-presidente era a mais alta autoridade sunita no governo do primeiro-ministro xiita Nuri al-Maliki e foi acusado de comandar um esquadrão da morte que tinha como alvo xiitas iraquianos e teria sido responsável por 150 atentados entre 2005 e 2011.

Após o pedido de prisão contra o vice-presidente ser formalizado, o bloco Iraqiya - coalizão de Hashemi, autoproclamada secular e apoiada por sunitas - anunciou sua retirada do Parlamento e do gabinete do premiê. Desde então, o grupo político tem se fragmentado.

Os opositores do premiê xiita o acusam de tentar monopolizar o poder no Iraque. Segundo Hashemi, o primeiro-ministro persegue seus oponentes sunitas no governo.

O vice-presidente afirmou que não se entregaria porque seu julgamento não seria imparcial. Juntamente com Hashemi, seu genro foi considerado culpado pelos assassinatos - de uma advogada e um membro da segurança do governo - na mesma decisão judicial e também não apareceu no tribunal.

Segundo a France Presse, o vice-presidente iraquiano encontrou-se ontem com o chanceler turco, Ahmet Davutoglu. No entanto, detalhes da conversa, que havia sido marcada independentemente da audiência judicial em Bagdá, não foram revelados.

Violência. Antes de a sentença contra Hashemi ser anunciada, pelo menos 25 ataques ocorridos desde a noite do sábado deixaram 58 mortos em diversas regiões do país.

O pior atentado ocorreu ontem nas imediações de Amara, no sul do país, quando dois carros-bomba explodiram em um mercado próximo a um santuário xiita, matando ao menos 16 pessoas e ferindo outras 60. Pouco antes da meia-noite, em Dujail, 50 quilômetros ao norte de Bagdá, insurgentes armados e um terrorista suicida mataram 11 militares iraquianos e deixaram outros 7 feridos em um ataque contra uma base militar.

Em Kirkuk, no norte do país, oito candidatos a guardas de uma companhia de petróleo foram mortos enquanto aguardavam para a entrada na empresa. No sul, em Nassíria, uma explosão diante do edifício que abriga uma representação consular francesa matou um policial e deixou outros quatro feridos.

Após a decisão contra Hashemi, cerca de 50 pessoas foram mortas em seis bairros de Bagdá, principalmente redutos xiitas, por explosões de carros-bomba. Ao todo, 13 cidades sofreram ataques no fim de semana. / REUTERS, AFP e AP

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