Justiça condena à prisão ex-ministra kirchnerista

Felisa Miceli, ex-ministra da Economia no governo de Néstor Kirchner, foi condenada ontem a 4 anos de prisão pelos crimes de operação financeira ilícita e destruição de documentos oficiais. O escândalo - conhecido na imprensa argentina como "O caso do Banheiro" - veio à tona em 2007, quando guardas do Ministério da Economia encontraram no banheiro privado da ministra uma sacola com notas de pesos argentinos e dólares cuja origem ela nunca explicou.

BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

28 de dezembro de 2012 | 02h06

Primeira mulher a ocupar a pasta da Economia na história da Argentina, a ex-ministra agora tornou-se também a primeira integrante da cúpula do kirchnerismo a ser condenada à prisão.

"Tudo o que eu disse era verdade, não tenho uma vida de luxo", tentou se defender Felisa, ontem, ao sair do tribunal. A ex-ministra afirmou que é inocente e sua condenação "foi o fruto de uma armadilha" contra ela e o governo da presidente Cristina Kirchner. A economista também defendeu o casal Kirchner, ressaltando que foi "o melhor modelo que a Argentina teve em toda sua história".

Felisa não irá à prisão imediatamente, pois poderá apelar de sua sentença. O veredicto final será anunciado em fevereiro. Em três meses de julgamento, 60 testemunhas apresentaram depoimentos. Os juízes concluíram que a ex-ministra não explicou a origem do dinheiro encontrado no banheiro de seu gabinete. Em uma sacola de papelão, havia 100 mil pesos argentinos (quantia, na época, equivalente a US$ 35 mil), além de US$ 31 mil em cédulas americanas.

A reportagem do jornal Perfil, que trouxe à tona o escândalo, falava em US$ 140 mil, 50 mil e 100 mil pesos. Além disso, na época, a ministra confiscou a ata policial que descrevia a descoberta da sacola com o dinheiro e a destruiu.

Irregularidade. No início, ela alegou que o dinheiro era seu e fora guardado no banheiro para uma "operação imobiliária" de sua filha. Dias depois, mudou de versão, afirmando que o dinheiro era de um de seus dois irmãos, Horácio Miceli. Posteriormente, deu outra explicação, indicando que os pesos e os dólares eram de outro irmão, José Rubén.

A economista, dias atrás, disse que guardou o dinheiro em uma sacola de papelão no armário de seu toalete, no Ministério da Economia, pois não tinha um cofre para guardá-lo em segurança. Após deixar o cargo, ela trabalhou na Fundação das Mães da Praça de Maio, onde envolveu-se em mais um escândalo, dessa vez com um fundo fiduciário irregular da organização. / A.P.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.