Justiça condena Berlusconi a 1 ano de prisão

O ex-premiê italiano Silvio Berlusconi foi condenado ontem a 1 ano de prisão por fraude fiscal e a pagar multa de 10 milhões de euros em um processo que já dura seis anos em Milão. No entanto, Berlusconi, de 76 anos, poderá recorrer em duas instâncias e a chance de ele cumprir a pena em uma cadeia é pequena. Caso confirmada a sentença, ele ficaria impedido de concorrer ou ocupar qualquer cargo público.

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2012 | 03h08

Inicialmente, a pena seria de 4 anos, mas, horas depois de ser anunciada, já foi reduzida para 1 ano em razão das leis de anistia na Itália. Berlusconi, que dominou o cenário político por 20 anos, deixou o governo no ano passado. A decisão de ontem foi comemorada por políticos, empresários e cidadãos, que soltaram fogos de artifício.

As acusações contra Berlusconi se referem a um esquema de compra de direitos para a transmissão de filmes americanos na tevê controlada por ele, a Mediaset. Por meio de notas frias, o dinheiro era enviado para paraísos fiscais, evitando pagar impostos na Itália. O CEO da empresa, Fedele Confalonieri, foi inocentado no julgamento, mas dois executivo foram condenados.

Berlusconi disse que a condenação era um "abuso". "Esse é um julgamento político, assim como foram todos os outros casos inventados contra mim." Em razão de uma lei de 2006, que tenta reduzir a população carcerária na Itália, todas as penas são reduzidas em 75%. Ironicamente, a lei foi uma iniciativa de partidos de esquerda, que fazem oposição a Berlusconi.

Outra acusação se referia a preços inflacionados para cerca de 3 mil filmes que a Mediaset teria comprado. A diferença entre o real valor das aquisições e o que era declarado chegaria a 250 milhões de euros, depositados em contas do magnata. O processo começou em 2006 e banqueiros suíços e produtores de Hollywood também foram acusados. Esta é a quarta vez que Berlusconi é condenado à prisão. No entanto, nas três outras, ele reverteu a decisão em instâncias superiores. As condenações ocorreram entre 1997 e 1998 por crimes financeiros, fraude e por pagar propinas a auditores do governo.

Ontem, seus aliados o defenderam. "Essa condenação é inexplicável", disse Angelino Alfano, secretário do partido de Berlusconi e ex-ministro da Justiça. "Esse é mais um exemplo da ferocidade do Judiciário contra Berlusconi." Para Dario Franceschini, líder do Partido Democrático, que por anos lutou para derrubar Berlusconi, a decisão da corte "precisa ser respeitada".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.