Justiça condena enfermeiro pela morte de Edmond Safra

A Justiça de Mônaco condenou hoje a dez anos de prisão o enfermeiro americano, Ted Maher, acusado da morte, em 3 de dezembro de 1999, do banqueiro libanês-brasileiro Edmond Safra e da enfermeira dele, Vivian Torrente. Ex-boina verde - força especial do Exército americano, Maher, de 44 anos, confessou ter ateado fogo na residência de Safra, 67 anos, no Principado de Mônaco. "Queria simular um incêndio para depois resgatar meu patrão e ganhar um aumento com meu ´ato heróico´", confessou Maher em sua segunda e definitiva versão. Na primeira, ele havia atribuído o incêndio a dois mascarados que haviam invadido a residência. Para dar mais autenticidade a essa versão, ele se feriu com uma faca em várias partes do corpo, incluindo o rosto. "Fui atacado pelos mascarados", disse o ex-boina verde aos policiais do principado, sem convencê-los. No fim, acabou confessando. "Foi um terrível acidente. Não queria matá-lo. Era um excelente emprego e um generoso patrão", assegurou ele - um argumento que viria a ser exaustivamente usado por seus advogados. Maher ganhava mais de US$ 15 mil por mês e estava construindo uma luxuosa mansão em Stormville, Nova Jersey. A viúva de Safra, a brasileira Lily, 65 anos, aplaudiu o veredicto. "Foi feita justiça", disse ela. A mulher do ex-boina verde, Heidi Maher, saiu chorando da sala de audiências e deu a entender que os advogados do marido vão recorrer. Ela repetiu um outro argumento usado pelo réu e sua defesa - a de que Safra provocou a própria morte e a da enfermeira ao se trancar no banheiro da residência, temendo ser seqüestrado. Os dois foram encontrados ali, mortos por asfixia. "Isso é uma excrescência", reagiu Lily, que herdou parte da fortuna do marido, estimada pela revista Forbes em US$ 4 bilhões. A publicação o incluia entre os 94 homens mais abastados do planeta. Lily, por sua vez, é hoje apontada como a oitava mulher mais rica do mundo. Herdeiros Safra, que sofria do mal de Parkinson, costumava dizer que seus únicos herdeiros eram seus bancos - referindo-se ao Republic National Bank of New York (vendido para o HSBC) e suas filiais pelo mundo, incluindo Mônaco. Pouco antes de sua morte, ele alterara o testamento, doando 80% de sua fortuna a entidades beneficientes (judeu, Safra investiu muito dinheiro em obras beneficentes em Israel) e destinando o restante para a mulher, com quem viveu durante 20 anos. Os irmãos dele, Joseph e Mose, vivem no Brasil, onde administram seus próprios interesses. "Mesmo enfermo, Edmond era um banqueiro 24 horas por dia", comentou um amigo. A tarefa de Ted Maher era, basicamente, cuidar do transporte do banqueiro que, em razão da doença, apresentava dificuldades de locomoção. Maher admitiu que vinha tendo problemas com a enfermeira morta no incêndio. Ele disse que ela menosprezava o trabalho dele. "Temia perder o emprego e queria ganhar a confiança do patrão", contou o ex-boina verde. Quinze advogados e 53 testemunhas participaram do julgamento, iniciado em 21 de novembro. A promotoria havia pedido 12 anos de detenção. Preso desde 1999, Maher poderá ser libertado em breve por bom comportamento e outros dispositivos previstos na legislação penal de Mônaco - pequeno, luxuoso e badalado principado muito procurado pelo jet-set internacional. É considerado também um paraíso fiscal, com um lado sombrio que seria usado pelo crime organizado para lavagem de dinheiro.

Agencia Estado,

02 Dezembro 2002 | 16h11

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