Miguel Gutiérrez/EFE
Miguel Gutiérrez/EFE

Justiça congela bens da Odebrecht na Venezuela

Empreiteira brasileira é investigada por subornos pagos em troca de contratos de obras públicas; sede da empresa foi alvo de buscas no dia anterior; país pede a retirada dos sinais da CNN do ar

O Estado de S. Paulo

15 Fevereiro 2017 | 22h30

CARACAS - Autoridades anunciaram nesta quarta-feira, 15, o congelamento de contas bancárias e outros ativos da empreiteira Odebrecht na Venezuela. A ação foi parte de uma investigação aberta após a empresa brasileira ter confessado pagamento de quase US$ 100 milhões em propinas no país. No dia anterior, os escritórios da companhia haviam sido alvo de uma operação de busca e apreensão. 

Não houve detenção de funcionários hoje, mas os promotores confirmaram ter solicitado à Interpol uma ordem de captura de uma pessoa ligada às suspeitas – a identidade do procurado não foi divulgada. 

O principal líder da oposição ao governo de Nicolás Maduro, o governador de Miranda, Henrique Capriles, voltou a negar hoje que tenha recebido qualquer vantagem da empreiteira – uma das principais obras sob investigação fica no Estado governado por ele. 

Capriles já disse anteriormente temer que os chavistas utilizem as investigações sobre propinas da Odebrecht para tentar pressionar e incriminar opositores. “O governo que comando, durante o período em que tenho sido governador do Estado bolivariano de Miranda, nunca em minha trajetória como servidor público, prefeito ou governador, nunca assinei qualquer contrato com a Odebrecht”, afirmou, acrescentando que as investigações deveriam se concentrar no chavista Diosdado Cabello, que governou Miranda em um período anterior. 

Em declarações no domingo e na terça-feira, Maduro pediu à Promotoria e ao Judiciário que trabalhem para prender os responsáveis pela cobrança de propinas. O MP afirmou hoje ter pedido informações às autoridades brasileiras, suíças e americanas sobre os casos relatados pela empresa em um acordo firmado com o Departamento de Justiça dos EUA. 

A empreiteira confirmou as ações de busca e apreensão e disse estar disposta a cooperar com as autoridades para esclarecer os casos de suborno. “A empresa está à disposição para colaborar com as autoridades e reafirma o seu compromisso com a implantação das melhores práticas de compliance, com base na ética, transparência e integridade”, afirmou, em nota, a companhia. 

Cooperação. Chefes dos Ministérios Públicos de 15 países citados pela Odebrecht no acordo com o governo americano foram convidados pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para uma reunião de trabalho marcada para amanhã em Brasília. O esforço de cooperação é inédito e representantes da Venezuela devem estar presentes.

CNN. Ainda hoje, a Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel) da Venezuela ordenou às operadoras de TV a cabo que retirassem do ar os sinais da CNN e da CNN Español. A medida, segundo a Conatel, foi tomada após a difusão de conteúdo que constitui “agressões diretas” e “contra a paz e a estabilidade democrática”. 

A emissora já foi acusada por Maduro de “conspirar” contra ele. No dia anterior, a rede noticiou a inclusão do vice-presidente, Tareck El-Aissami, em uma lista do governo americano de indivíduos sob sanção por envolvimento com o narcotráfico. / COM AFP

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