Aitor Pereira / EFE
Aitor Pereira / EFE

Justiça convoca pai e irmão de presidente da Argentina por corrupção

O caso está relacionado com o escândalo dos “cadernos de corrupção”, suposto esquema de pagamento de propina por empresários para obter contratos de obras públicas nos governos de Cristina e Néstor Kirchner

O Estado de S.Paulo

10 Dezembro 2018 | 20h35

O juiz federal argentino Claudio Bonadio intimou nesta segunda-feira, 10, o pai e um irmão do presidente da Argentina, Mauricio Macri, para que prestem depoimento sobre um possível pagamento de propina a funcionários do governo anterior, de Cristina Kirchner. O caso está relacionado com o escândalo dos “cadernos de corrupção”, um suposto esquema de pagamento de propina por empresários para obter contratos de obras públicas durante os governos de Cristina e de seu falecido marido, Néstor Kirchner (2003-2007).

Franco e Gianfranco Macri, pai e irmão do presidente argentino, vão depor na quinta-feira, 13, em um tribunal de Buenos Aires. Ambos foram convocados para responder pelo suposto pagamento de propinas para que seu grupo construtor Socma vencesse a licitação de dois trechos de rodovias durante o governo do ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007).

A convocação de Franco e Gianfranco Macri ocorre após declarações do ex-diretor do órgão de controle de obras viárias Claudio Uberti, que colabora com a Justiça. Eduardo Eurnekian, poderoso empresário à frente da holding Corporación América - que administra terminais de aeroportos na Argentina e em outros países da América Latina -, também foi chamado a depor.

Os Macri e Eurnekian se somam a dezenas de empresários e ex-funcionários dos governos kirchneristas envolvidos no caso. Um primo de Macri, Angelo Calcaterra, já foi envolvido neste caso por sua suposta participação no esquema de corrupção de sua empresa IECSA, que até 2007 pertencia ao grupo Socma.

Calcaterra declarou que deu dinheiro não registrado para a campanha presidencial do kirchnerismo em 2015 e ficou em liberdade por colaborar com a Justiça. Seu nome também aparece em outro processo aberto por irregularidades em uma obra ferroviária da qual a empreiteira brasileira Odebrecht participou.

Cristina Kirchner está denunciada no caso como "chefe de associação ilícita" pelo juiz Claudio Bonadio, que pediu seu impeachment como senadora para que cumpra prisão preventiva. O Senado não autorizou esta medida.

Cristina Kirchner, atualmente senadora da oposição, foi processada pelo juiz como suspeita de ser chefe de uma associação ilícita que envolve milhões de dólares e diversos empresários. Parte desse dinheiro, de acordo com o juiz, foi empregado durante o kirchnerismo para campanhas políticas. A ex-presidente nega todas as acusações e já apelou da medida, que deve ser revisada por um tribunal de segunda instância. Além disso, ela sustenta que as afirmações que a envolveram no caso foram obtidas sob coação. 

Os Cadernos de Corrupção

"Os cadernos da corrupção" são um processo que teve início em agosto deste ano, com base nas anotações feitas por Oscar Centeno, o motorista de Roberto Barattaum ex-ministro dos Kirchner, que durante mais de uma década anotou as viagens que fez levando milhões de dólares de supostas propinas de empresários para altos funcionários. Cópias dos cadernos, cujos originais teriam sido destruídos, foram entregues ao jornal "La Nación", que as entregou à Justiça. Ex-militar expulso do Exército, Centeno foi ouvido pelo juiz Bonadio no início de agosto e fez uma série de denúncias. / AP e AFP

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