EFE/David Fernandez
EFE/David Fernandez

Justiça argentina investiga Macri por tráfico de influência e favorecimento a empresas da família

Presidente é acusado de outorgar rotas aéreas a uma companhia que teria ligação com o Grupo Macri

O Estado de S.Paulo

01 de março de 2017 | 15h23

BUENOS AIRES - Uma nova investigação por tráfico de influência e favorecimento ao grupo empresarial da família do presidente argentino, Mauricio Macri, foi aberta nesta quarta-feira, 1.º, poucas horas antes de seu discurso inaugural das sessões do Congresso, informaram fontes judiciais.

O procurador Jorge Di Lello abriu a investigação por supostos crimes de "associação ilícita, negociações incompatíveis, fraude contra a administração pública e tráfico de influência" ao outorgar rotas aéreas a uma empresa de aviação supostamente ligada ao Grupo Macri.

Este é o segundo caso na Justiça contra o chefe de Estado por favorecimento do poderoso Grupo Macri. Ele foi acusado de perdoar 98% de uma dívida de milhões de dólares da companhia que remonta aos anos em que obteve a concessão dos Correios, de 1997 e 2003. Após o surgimento da polêmica, o presidente voltou atrás na decisão e anunciou que o acordo havia voltado "à estaca zero", mas essa medida não impede a investigação.

A nova denúncia contra Macri, outros altos funcionários e empresários, foi apresentada por deputados da oposição em rejeição à concessão pelo governo de rotas aéreas para as empresas de baixo custo Avian e Fly Bondi.

A denúncia afirma que a decisão prejudica a estatal Aerolíneas Argentinas, e sustenta que Avian está vinculada comercialmente aos Macri e Fly Bond, ao coordenador do gabinete econômico, Francisco Quintana.

A investigação por possível crime de concessão de rotas aéreas também inclui a empresa Avianca. Macri, seu pai, funcionários do governo, empresários e membros da companhia aérea serão investigados, segundo fontes judiciais.

Segundo informou o Ministério Público argentino em seu site, as supostas irregularidades teriam sido cometidas em contratos com o Estado pela companhia aérea colombiana depois que ela comprou em 2016 a empresa Macair Jato, propriedade do conglomerado econômico liderado pelo pai do presidente, o empresário Franco Macri.

O procurador pediu ao juiz federal Sergio Torres que esclareça se o governo buscou beneficiar a Avianca por meio da outorgação de rotas no marco do processo de abertura do mercado aéreo iniciado pelo Executivo no final de 2016.

Na denúncia, os litigantes apontam como outra conduta a ser investigada o fato de "o governo nacional deixar de utilizar a frota de aviões presidenciais - que leva o presidente e funcionários de primeira linha às viagens - por 'serviços de empresas privadas'", segundo detalhou a Procuradoria. / AFP e EFE

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