REUTERS/Leonhard Foeger
REUTERS/Leonhard Foeger

Justiça da Áustria decide que Estado é proprietário da casa onde Hitler nasceu

Governo havia adquirido a residência em dezembro para poder controlar seu uso e evitar que o local se tornasse um centro de peregrinação neonazista

O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2017 | 12h51

VIENA - O Estado austríaco continuará sendo proprietário da casa onde nasceu Hitler, a qual havia adquirido no fim de 2016 para poder controlar seu uso e evitar que ela se tornasse um centro de peregrinação neonazista, segundo uma decisão do Tribunal Constitucional publicada nesta sexta-feira, 30. A determinação vai contra a vontade da herdeira do local.

O Parlamento da Áustria adotou uma lei em dezembro para expropriar a residência, que data do século 17 e está localizada no centro de Braunau am Inn, próxima à fronteira com a Alemanha. Com a decisão, surge a possibilidade fazer mudanças arquitetônicas no edifício, que frequentemente atrai neonazistas.

A lei, aprovada quase por unanimidade, coloca fim a um longo conflito entre o Estado e a família proprietária da casa, representada por Gerlinde Pommer, quem há vários anos mantém silêncio absoluto sobre o assunto quando questionada pela imprensa.

Gerlinde apresentou um recurso contra a lei de expropriação ao Tribunal Constitucional austríaco. Mas este decidiu a favor do Estado, alegando “interesse geral”.

“A casa apresenta o risco de se transformar em um local de peregrinação (...) em benefício da ideologia nazista (...). Era necessário assegurar que não se possa cometer ali nenhuma infração”, indicou o Tribunal em sua decisão.

A instância lembrou que a venda forçada teve uma compensação, cujo valor não foi revelado. O Estado alugava desde 1972 a residência na qual o líder nazista Adolf Hitler nasceu no dia 20 de abril de 1889 para poder controlar seu uso. Durante anos, o local abrigou um centro para deficientes, uma das categorias da população que foi vítima dos nazistas.

A grande casa de fachada amarela está vazia desde 2011, quando seus proprietários se opuseram à ideia de um novo uso para o edifício, que o Estado alugava mensalmente por € 4,8 mil. Sem ocupantes, o local se transformou em um ponto de reunião dos nostálgicos do Terceiro Reich.

O ministro do Interior, Wolfgang Sobotka, queria destruí-la, mas uma comissão de especialistas conseguiu que a ideia fosse substituída por um projeto de profunda remodelação, de modo que não seja mais possível identificá-la.

Autoridades já planejam o futuro do local, onde dizem que será construída uma instituição pública, desde que seu uso represente “a antítese do nazismo”. / AFP

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