Justiça da Colômbia aprova extradição de traficante para os EUA

A Corte Suprema da Colômbia aprovou na noite de quarta-feira um pedido dos EUA para extraditar Fabio Ochoa Vásquez, acusado de ser um dos líderes do cartel de drogas de Medellín. A decisão final sobre o destino do suspeito caberá ao presidente colombiano, Andrés Pastrana.Caso se pronuncie em favor da Justiça norte-americana, Ochoa Vásquez vai converter-se no mais importante suposto líder de um cartel de narcotráfico da Colômbia a ser julgado nos EUA desde os anos 80.Para evitar a entrega do suspeito aos norte-americanos, advogados e familiares de Ochoa Vásquez tentam convencer Pastrana de sua inocência. Uma irmã do réu, Marta Neves Ochoa, alega que ele foi preso numa "armação" arquitetada pela polícia colombiana e a DEA, a agência norte-americana antidrogas. "Estamos aterrorizados com a decisão da Corte Suprema pela extradição de Fabio", declarou. "Não a esperávamos, pois se trata de um inocente e não se pode condenar alguém sem escutá-lo."Ochoa é o caçula dos três irmãos que se entregaram em 1990 e confessaram ter exercido papel de liderança no cartel de Medellín, então liderado por Pablo Escobar. Fabio Ochoa conseguiu uma redução de pena por bom comportamento e deixou a prisão em 1996. Mas voltou a ser preso em 1999, durante uma ação conjunta de agentes norte-americanos, colombianos e mexicanos que ficou conhecida como Operação Milênio.Entre as provas apresentadas pela Justiça norte-americana para obter a extradição incluem-se gravações de telefonemas e vídeos que comprometem Ochoa com o grupo de narcotráfico mexicano Cartel de Juárez, que, segundo a DEA, é responsável pelo envio de 30 toneladas de cocaína por mês para o território americano.A extradição de cidadãos colombianos foi restabelecida por iniciativa de Pastrana em 1997, após a aprovação de uma emenda constitucional. Mas ela apenas é aplicável a crimes cometidos depois da mudança da Carta.A possibilidade de extraditar Ochoa Vásquez traz de volta o temor da reação violenta dos grupos de traficantes que ainda atuam na Colômbia, embora menos organizados do que há alguns anos. O cartel de Medellín esfacelou-se após a morte de Escobar - quando tentava escapar da polícia -, em 1993. O de Cali praticamente se extinguiu com a prisão de seus líderes, incluindo os chefes máximos, Gilberto e Miguel Rodrígues Orejuela, entre 1994 e 1996.

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