AFP / PHILIPPE HUGUEN
AFP / PHILIPPE HUGUEN

Justiça da França autoriza desocupação do acampamento de imigrantes em Calais

Ministério do Interior pretende realocar parte dos imigrantes que acampam em 'selva' para um centro de acolhimento em área adjacente; ONGs protestam

Andrei Netto, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S. Paulo

25 de fevereiro de 2016 | 14h24

PARIS - O Tribunal Administrativo de Lille, no norte da França, autorizou nesta quinta-feira, 25, o desmonte de parte do campo de imigrantes de Calais, próximo ao Canal da Mancha. A decisão foi anunciada dois dias após a inspeção realizada pela Justiça a pedido de organizações não governamentais que tentavam impedir a destruição do acampamento.

A decisão de desmontar a "selva", como o campo é chamado, havia sido tomada pelo Ministério do Interior, que traçara como objetivo a remoção de entre 800 e mil estrangeiros que se instalaram em barracas no local. Esses imigrantes, a maior parte formada por sírios, iraquianos, afegãos e ienemitas, devem ser realocados em um Centro de Acolhimento Provisório (CAP), um conjunto de alojamentos montados em contêineres aquecidos e com água tratada e saneamento, que foi construído pelo governo em uma área adjacente.

As associações até aqui recusavam a transferência alegando que na área a ser desocupada viveriam na verdade até 3,5 mil pessoas e não haveria espaço suficiente para todos nas novas instalações. Além disso, as entidades reclamam da falta de cozinhas, áreas de convívio social, de uma escola, uma biblioteca, uma igreja e uma mesquita - infraestrutura que reproduziria o que existe, ainda que provisório e sob barracas, na "selva". Outra queixa das ONGs, entre as quais a Médicos do Mundo e o Socorro Católico, é que os imigrantes precisam se identificar a cada entrada e saída do CAP.

O Ministério do Interior considera a situação na "selva" um problema humanitário e está decidido a desmontar todo o acampamento. Embora tenha sido autorizada, a desocupação pode levar dias, porque a orientação dada pelo primeiro-ministro Manuel Valls é de que haja uma "resposta humanitária" às reivindicações das associações e dos imigrantes.  

O momento em Calais, entretanto, é de preocupação. Na madrugada desta quinta, mais de mil estrangeiros tentaram invadir as instalações ferroviárias sob o Canal da Mancha na tentativa de chegar ao território da Grã-Bretanha. A ação foi bloqueada pela polícia da França. O impasse da "selva" ainda vem acompanhado de uma querela política com a Bélgica, cujas autoridades retomaram os controles na fronteira dos dois países. Hoje o ministro do Interior da França, Bernard Cazeneuve, afirmou que não entende a medida.

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