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Justiça da Itália pede ao Parlamento acesso a ligações de Berlusconi sobre o caso 'Ruby'

Objetivo é utilizar as gravações no processo que investiga se o magnata comprou o silêncio de pessoas durante o julgamento

O Estado de S. Paulo

02 Outubro 2015 | 11h47

ROMA - A juíza do Tribunal de Milão, Stefania Donadeo, solicitou na quinta-feira 1 a autorização do Parlamento italiano para acessar 11 intercepções de chamadas telefônicas entre o ex-primeiro-ministro da Itália Silvio Berlusconi e duas jovens frequentadoras de suas festas. Segundo a angência Ansa, as duas seriam brasileiras. 

O objetivo é utilizar as gravações no processo "Ruby Ter", que investiga se o magnata comprou o silêncio de algumas pessoas durante o julgamento do "Caso Ruby", em que era acusado de corrupção de menores e abuso de poder, e do qual foi absolvido.

O parecer favorável do Parlamento é requisito indispensável para acessar essas intercepções que datam de 2012, quando Berlusconi ainda exercia o cargo de senador, perdido um ano depois por ser condenado por fraude fiscal. Os parlamentares italianos deverão se pronunciar em breve sobre se permitem ou negam o acesso da Justiça ao material.

As gravações são uma série de conversas de Berlusconi com Bárbara Guerra e Íris Berardi, que teriam pedido dinheiro e favores ao ex-primeiro-ministro em troca de não interferir nos julgamentos, segundo dados do sumário revelados pela imprensa local.

Ambas se constituíram parte civil no processo "Ruby bis" (contra colaboradores de Berlusconi acusados de prostituição), mas acabaram se retirando do julgamento e se negando a testemunhar.

Nos próximos dias, os promotores de Milão solicitarão o processo de Berlusconi e de outros 33 investigados, entre colaboradores e mulheres, que participavam supostamente das suas polêmicas festas, segundo a imprensa italiana.

Os processos "Ruby bis" e "Ruby Ter" averiguam crimes derivados do "Caso Ruby", no qual Berlusconi era acusado de ter mantido relações sexuais com a marroquina Karima El Mahroug quando ela era menor de idade.

Na versão "Ter", os promotores alegam que Berlusconi pagou 21 mulheres, entre elas a jovem marroquina, que investiu em propriedades nos Emirados Árabes e no México, de acordo com a imprensa. /EFE

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