Justiça da Romênia decidirá validade do referendo

A Corte Constitucional da Romênia poderá decidir amanhã (21) se o referendo para o impeachment do presidente romeno Traian Basescu foi válido ou não. Basescu está afastado do cargo, que é exercido interinamente por Crin Antonescu. O referendo aconteceu no fim de julho e menos de 46% dos eleitores votaram - 8 milhões de uma população de cerca de 19 milhões de romenos. Desses 8 milhões, 78% pediram o afastamento de Basescu. Como o porcentual de votantes ficou abaixo dos 50% previstos em lei, a Corte Constitucional terá de decidir sobre a validade do referendo do impeachment de Basescu.

ANDRÉ LACHINI (AE), Agência Estado

20 de agosto de 2012 | 09h26

Suspenso pelo Parlamento local no começo de julho, Basescu afirma que foi vítima de uma tentativa de golpe por políticos contrários às investigações de corrupção conduzidas por seu governo. O mandato de Basescu na presidência da Romênia terminaria em 2014.

Na última sexta-feira (17), o primeiro-ministro romeno, Victor Ponta, pediu à Corte Constitucional do país que tome uma decisão clara, seja a favor ou contra a validade do referendo que decidiu pelo impeachment de Basescu, a fim de ajudar a pôr fim à incerteza política que prejudica a Romênia economicamente. Em entrevista ao The Wall Street Journal, Ponta disse que "esse é o pior momento para uma crise política", em termos de situação econômica e financeira em toda a Europa. "Pelo bem do país, eles (os juízes da Corte) precisam chegar a um veredicto", disse o premiê.

Para o analista de mercado Daniel Hewitt, do banco Barclays, quer o tribunal reconduza Basescu ao cargo ou não, os mercados financeiros da Europa não serão abalados. "Se a corte validar o referendo e Antonescu continuar presidente, uma nova eleição ocorrerá em três meses e Antonescu deverá ser eleito. Isso acalmará a política romena e não afetará de verdade a Europa. A Romênia é muito pequena e pouco importante para a União Europeia (UE)", disse Hewitt, em entrevista à Agência Estado.

A Romênia também terá eleições parlamentares em novembro. Hewitt acredita que, vença o partido de centro-direita de Antonescu, ou a coalizão de centro-esquerda do primeiro-ministro Victor Ponta (a Uniunea Social Liberala - União Social-Liberal), a Romênia deverá manter seus compromissos firmados com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a UE, dos quais recebeu mais de 10 bilhões de euros desde 2009, quando entrou em recessão.

A Romênia passou a integrar a UE em 2004. Como sua vizinha Bulgária, não adotou o euro e está em recessão há anos.

"Eles sabem que precisam da UE e do FMI para obter credibilidade. O problema (dos partidos romenos) será manter as promessas irrealistas que possivelmente não poderão cumprir com o eleitorado. Então talvez o FMI lhes ajude a lidar com isso", diz Hewitt.

A crise política na Romênia levantou dúvidas entre investidores sobre a capacidade do país de levar adiante as necessárias medidas econômicas, o que derrubou a moeda romena - o leu - para mínimas recordes frente ao euro durante o verão europeu, afetando empresas e consumidores romenos. Nos últimos dias, o leu mostrou recuperação, sustentado por intervenções do banco central local e pela indicação do FMI e da UE de que a política fiscal continua amplamente dentro do acordo. "Se a crise política terminar, ajudará ainda mais a sustentar a moeda e a economia em geral", disse o premiê romeno. "O período de turbulência está se estendendo muito", criticou. Com informações da Dow Jones.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.