REUTERS/Jon Nazca
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Justiça de Gibraltar prolonga retenção de petroleiro iraniano por 30 dias

Suprema Corte do enclave britânico no sul da Espanha permite que autoridades mantenham navio-taque Grace 1, com bandeira iraniana, detido por mais um mês, com possibilidade de prorrogar decisão por até 3 meses

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2019 | 11h09

GIBRALTAR, REINO UNIDO - A Suprema Corte de Gibraltar decidiu nesta sexta-feira, 19, prolongar por 30 dias a retenção do petroleiro iraniano Grace 1 em meio às tensões diplomáticas com Teerã, informou o procurador-geral deste enclave britânico no sul da Espanha.

O navio foi interceptado em 4 de julho pelas autoridades de Gibraltar por suspeitas de que levaria seu carregamento para a Síria, o que violaria o embargo ocidental contra o regime de Bashar Assad. Desde então, quatro oficiais da tripulação foram detidos e interrogados pela polícia do território, que os liberou sem acusações.

Teerã nega que seu petroleiro abasteceria Damasco e qualifica a situação como pirataria pela retenção do navio, carregado com 2,1 milhões de barris de petróleo.

Apesar de o Irã ter exigido a liberação imediata do Grace 1, a Justiça de Gibraltar prorrogou a primeira permissão para reter o navio-tanque que expiraria nesta sexta e pode repetir a decisão por um prazo máximo de 90 dias.

"Atendendo o pedido do procurador-geral, a Corte estendeu o período de detenção (...) por outros 30 dias e fixou uma nova audiência para 15 de agosto", informou o governo de Gibraltar em comunicado.

Antes da decisão judicial, o chefe de governo de Gibraltar, Fabian Picardo, havia revelado ao Parlamento uma reunião em Londres com autoridades iranianas "com a intenção de buscar a desescalada da tensão em todas as frentes desse problema". 

"Esperamos continuar a trabalhar de forma construtiva e positiva com as autoridades da República Islâmica do Irã para facilitar a libertação do 'Grace 1'", disse Picardo. 

A interceptação do petroleiro intensifica as tensões entre o Irã e as potências ocidentais, especialmente com os Estados Unidos e o Reino Unido. Washington retirou-se em 2018 do acordo nuclear fechado em 2015 entre Irã e seis grandes potências e restabeleceu duras sanções contra Teerã. 

Enfraquecido desde então, o acordo também é ameaçado por anúncios do país persa que, em resposta à retirada de Washington, começou a violar alguns de seus compromissos

A tensão se traduz em numerosos incidentes no Golfo Pérsico, região por onde passa um terço do transporte marítimo de petróleo no mundo. 

Na quinta-feira, a Guarda Revolucionária iraniana anunciou a prisão de um "petroleiro estrangeiro", suspeito de "contrabando" de combustível para a região. Washington, por sua vez, anunciou que destruiu um drone iraniano no Estreito de Ormuz, mas Teerã nega o ataque. / AFP e EFE

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