Kin Cheung/AFP
Kin Cheung/AFP

Justiça de Hong Kong mantém proibição de máscaras em manifestações e população vai às ruas

Medida emergencial que não era usada há 50 anos foi acionada pelo governo na última sexta-feira; representantes do movimento pró-democracia recorreram aos tribunais mas perderam direito de cobrir os rostos

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de outubro de 2019 | 09h16

Milhares de pessoas de Hong Kong foram às ruas neste domingo, 06, após o Supremo Tribunal de Hong Kong rejeitar um recurso de representantes pró-democracia do Parlamento local contra a proibição de máscaras em manifestações. A medida foi anunciada na última sexta-feira, 04, pela chefe do Poder Executivo Carrie Lam e provocou forte reação dos manifestantes, que quebraram estações do metrô.

 

 

Durante o sábado, toda a rede foi fechada e, neste domingo, 45 das 93 estações estão em funcionamento -a maioria delas fora dos bairros onde ocorrem os protestos, na região central da ilha. A cidade, com 7,5 milhões de habitantes, é extremamente dependente da rede de metrô, uma das mais eficazes do mundo, que transporta quatro milhões de pessoas por dia. Além disso, várias redes de supermercados e shopping centers decidiram fechar neste domingo, algo incomum.

A lei de emergência que Carrie Lam adotou na sexta-feira data de 1922, quando Hong Kong era uma colônia britânica, e não era usada desde 1967. O texto autoriza o executivo a tomar "qualquer medida", sem a necessidade da permissão dos legisladores, em caso de emergência ou situação de perigo para a população. Lam usou o texto para proibir o uso de máscaras em marchas, usadas pelos manifestantes para esconder sua identidade e se proteger do gás lacrimogêneo. 

A medida foi apoiada pela China, enquanto manifestantes e oposição viram sinais de uma deriva autoritária por parte do governo. "Se essa lei de emergência for aprovada, o futuro de Hong Kong será muito sombrio", disse o vice-presidente Dennis Kwok a repórteres no domingo, antes que o Supremo Tribunal comunique sua decisão.

Os piores confrontos ocorreram na terça-feira, quando foi celebrado na China o 70º aniversário do estabelecimento do regime comunista. Pela primeira vez, um policial disparou uma bala contra um manifestante, um estudante de 18 anos que estava gravemente ferido. Na sexta-feira à noite, um adolescente de 14 anos foi baleado quando um policial em roupas civis disparou quando estava cercado por um grupo jogando coquetéis molotov. No sábado, milhares de manifestantes participaram de mobilizações não autorizadas e "flashmob" em vários bairros da cidade. 

Nos últimos quatro meses, Hong Kong passa por sua pior crise política, com manifestações quase diárias para denunciar a perda de liberdades e a crescente influência do governo chinês nos assuntos daquela região semi-autônoma, e também para exigir reformas democráticas. A onda de protestos começou em junho contra um projeto de lei que procurava autorizar extradições para a China continental. O texto foi abandonado no início de setembro, mas os manifestantes aumentaram suas reivindicações e continuaram com a mobilização.

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