ABBAS MOMANI / AFP
ABBAS MOMANI / AFP

Justiça de Israel adia decisão sobre expulsão de famílias palestinas

Mais de 300 pessoas ficaram feridas desde sexta-feira em confrontos entre palestinos e policiais israelenses em Jerusalém durante protesto pela expulsão de quatro famílias em benefício de colonos judeus

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2021 | 21h22

JERUSALÉM - A Justiça israelense adiou neste domingo, 9, uma decisão prevista pra segunda-feira, sobre a expulsão de famílias de palestinos do Bairro Sheikh Jarrah em Jerusalém Oriental, em um caso que provocou violentos protestos que deixaram mais de 300 feridos, a maioria palestinos, nos últimos dias. A Justiça informou que dentro de 30 dias marcará uma nova data para proferir sua decisão.

Este é o pior momento de tensão na cidade desde os violentos confrontos de 2017, quando o então presidente dos EUA, Donald Trump, reconheceu Jerusalém como capital de Israel. Além disso, nesta segunda-feira é celebrado o aniversário da ocupação israelense da parte oriental de Jerusalém após a Guerra dos Seis Dias, em 1967.

Na sexta-feira, palestinos que estavam na Esplanada das Mesquitas, no último dia do mês sagrado do Ramadã, entraram em confronto com policiais israelenses e 178 palestinos e 6 policiais israelenses ficaram feridos. No sábado à noite também ocorreram confrontos em Jerusalém Oriental, mas perto da Porta de Damasco e nos bairros de Bab al-Zahra e Sheikh Jarrah.

Neste domingo, palestinos lançaram garrafas e pedras contra as forças de segurança que tentavam dispersar a multidão com jatos d'água, mas não houve registro de feridos. Também houve manifestações na Cisjordânia ocupada e na Faixa de Gaza em solidariedade aos palestinos de Jerusalém.

As manifestações contra a expulsão de quatro famílias palestinas têm ocorrido diariamente ao entardecer. No início do ano, o tribunal do distrito de Jerusalém determinou em favor das famílias judaicas que reivindicam a propriedade das terras onde foram construídas as casas das famílias palestinas no Bairro de Sheikh Jarrah, em Jerusalém Oriental.

Segundo a lei israelense, se os judeus podem provar que sua família vivia em Jerusalém Oriental antes da Guerra Árabe-israelense de 1948, podem pedir a restituição de seus “direitos de propriedade”, uma legislação contestada pelos palestinos.

Membros do Quarteto do Oriente Médio (ONU, União Europeia, Estados Unidos e Rússia) expressaram no sábado "profunda preocupação" com a violência em Jerusalém. "Estamos alarmados com as declarações provocativas de alguns grupos políticos, bem como o lançamento de foguetes e de balões incendiários de Gaza para Israel, e os ataques a fazendas palestinas na Cisjordânia."

"Os enviados notaram com séria preocupação os possíveis despejos de famílias palestinas das casas em que viveram por gerações e expressaram sua oposição a ações unilaterais, que só agravarão o ambiente já tenso."

"Pedimos às autoridades israelenses que exerçam contenção e evitem medidas que agravem ainda mais a situação durante este período de dias santos muçulmanos." / AFP

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