Justiça de Israel manda Exército devolver corpos

A Suprema Corte de Israel decidiu, neste domingo, que o Exército tem de entregar os corpos dos palestinos mortos em meio a duros enfrentamentos no campo de refugiados de Jenin, uma decisão que visa desarmar uma volátil disputa sobre como tratar os mortos.Os palestinos têm acusado o Exército de Israel de promover um massacre no campo e tentar encobri-lo. Israel nega veementemente as acusações, mas a acusação ganhou força quando o Exército anunciou na semana passada que planejava enterrar os corpos em covas não marcadas no norte de Israel.A petição à Suprema Corte, apresentada na última sexta-feira por árabes-israelenses, impediu que os militares removessem os corpos. Apesar de a decisão da corte permitir que o Exército reúna os corpos, ela também autoriza a Cruz Vermelha a acompanhar as equipes e exige que os corpos sejam entregues aos palestinos, que devem enterrá-los imediatamente.Se os palestinos não facilitarem a transferência dos corpos, os militares poderão enterrá-los, decidiu a corte. Se os comandantes em campo concordarem, funcionários palestinos da Crescente Vermelho terão permissão de participar da busca do Exército aos corpos, numa solução de compromisso da corte aceita por ambos os lados no caso judicial, mas que ainda pode enfrentar problemas.O coronel Dan Riesner, um assessor do advogado-geral do Exército que representou a corporação na audiência deste domingo, indicou que a Crescente Vermelho palestina pode não ser capaz de participar. Grupos de busca do Exército, alegou, estão se movendo em blindados de deslocamento de tropas, e os comandantes locais não devem permitir que palestinos entrem nos veículos.Além disso, a corte não pode forçar a Cruz Vermelha Internacional a participar, e autoridades da Cruz Vermelha afirmaram que só ajudarão nos esforços para recuperar e enviar os corpos para enterro se tiverem liberdade para checar as condições no campo. "Vamos dizer que estamos indo se pudermos nos mover livremente e ver quais são as condições gerais", disse Rene Kosirnik, chefe da delegação da Cruz Vermelha Internacional. "Não iremos sob a proteção (do Exército israelense)."O campo de refugiados foi palco dos mais intensos combates na operação militar de duas semanas de Israel na Cisjordânia. Palestinos dizem que centenas foram mortos no local, entre homens armados e civis.O Exército israelense anunciou na semana passada que cerca de 100 palestinos foram mortos no campo, a maioria milicianos. Vinte e três soldados israelenses morreram nos confrontos em Jenin. A Suprema Corte examina nesta segunda-feira um recurso apresentado por outra organização humanitária, segundo a qual existem fossas comuns em Jenin que devem ser abertas e inspecionadas por observadores neutros.Grandes Acontecimentos InternacionaisESPECIAL ORIENTE MÉDIO

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