Justiça de Israel pede tempo para estudar caso Katsav

Tribunal dá 24 horas de prazo à acusação para que responda aos pedidos de grupos

Agencia Estado

02 Julho 2007 | 09h53

A Corte Suprema israelense pediu um dia para estudar os diferentes recursos apresentados neste domingo, 1º, contra o acordo que eximiu o presidente israelense, Moshé Katsav, do crime de estupro e de ser preso, anunciou o Ministério da Justiça. O tribunal dá 24 horas de prazo à acusação para que responda aos pedidos de diversos grupos, principalmente feministas, e de uma das litigantes. Enquanto isso, fica em suspenso o acordo fora dos tribunais pelo qual Katsav se declarava culpado de vários crimes de assédio sexual, mas não de estupro, do qual é suspeito. Não se apresentará a ata de acusação até que o Supremo analise e a Promotoria do Estado responda a todos os pedidos, o que está previsto para segunda-feira à tarde, 2, segundo a imprensa. Uma hora antes desta decisão, entrou em vigor a renúncia de Katsav, 48 horas depois que esta foi enviada à presidente interina, Dalia Itzik. Itzik já é a presidente de Israel de forma interina até a posse do presidente eleito, Shimon Peres, prevista para 15 de julho. Esta manhã, um dia depois que cerca de 20 mil pessoas se concentraram em Tel Aviv em protesto contra o acordo, o Movimento por um Governo de Qualidade, a Rede de Mulheres israelenses, a associação de ação social feminina Itach e a Coalizão de Mulheres apresentaram uma nota ao principal órgão jurídico do país. "A extrema falta de racionalidade na decisão" do assessor jurídico do Estado, Menachem Mazuz, responsável pelo acordo, "provém do fato de que deu marcha à ré em sua intenção original de apresentar acusações mais graves contra o presidente, incluindo as de estupro e atos indecentes", afirma o pedido. Em virtude do acordo, Katsav aceitou os crimes de intimidação a testemunhas, assédio sexual e atos indecentes com mulheres que trabalhavam com ele durante seus mandatos como ministro de Turismo e posteriormente como presidente. Uma das litigantes de Katsav, conhecida como "A", também apresentou neste domingo um recurso contra o acordo. Ela insistiu esta semana em que o chefe de Estado a forçou a manter relações sexuais três ou quatro vezes e que ameaçou destruir sua vida se não fizesse o que ele dizia. No sábado à noite, 30, Mazuz criticou o ex-presidente israelense, mas defendeu o acordo extrajudicial. "Nós nos reunimos com o presidente e deixamos claro que tinha se comportado durante anos como delinqüente sexual em série", disse Mazuz em um programa de televisão. O assessor advertiu que o acordo implica que Katsav confesse "claramente" aos tribunais sua culpabilidade. O jornal "Ha´aretz" revela em sua edição deste domingo o processo que correu em segredo pelo qual o chefe de Estado pôde se livrar da prisão. Segundo o jornal, as diversas negociações entre a Promotoria e os advogados do presidente reduziram o número de denunciantes das dez da ata de acusação original a duas no final. No entanto, o Ministério da Justiça poderia se ver obrigado a publicar esta ata original, que data de 23 de janeiro, e no qual estão toda as graves acusações que Mazuz apresentou inicialmente contra o presidente, segundo fontes do ministério citadas pelo jornal israelense.

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