Justiça de Milão decide manter julgamento de Berlusconi

O Tribunal de Justiça de Milão rejeitou neste sábado o pedido dos advogados do primeiro-ministro Silvio Berlusconi para suspender o julgamento de corrupção contra ele. O Tribunal rejeitou a petição e a próxima audiência foi marcada para 26 de março. Berlusconi é acusado de subornar o advogado britânico David Mills para ocultar detalhes incriminatórios sobre alguns de seus negócios. Ambos negaram as acusações. Na quinta-feira, o principal tribunal italiano arquivou o processo contra Mills, condenado em instância anterior por receber propina de Berlusconi em 1999. Os juízes entenderam que o caso prescrevera.

AE-AP, Agencia Estado

27 de fevereiro de 2010 | 16h17

Os juízes de Milão rejeitaram o pedido feito pelos advogados do primeiro-ministro sobre o adiamento do julgamento até que se conheçam as motivações da sentença do Supremo Tribunal que declarou prescrito o delito de David Mills. O Supremo Tribunal alega que Mills mentiu em suas declarações e recebeu dinheiro por isso, mas o delito de corrupção em ato judicial ocorreu em 11 de novembro de 1999 - quando deu as instruções para receber esse pagamento por seu falso testemunho - e não em 29 de fevereiro de 2000, como sustentavam as sentenças em primeira instância e apelação. Desde então, se passaram dez anos, tempo que a lei fixa para a prescrição destes delitos.

Berlusconi é acusado de ter pago, supostamente, US$ 600 mil a seu ex-advogado Mills em troca do falso testemunho deste em seu favor em dois julgamentos realizados na década de 90, nos quais o líder foi absolvido.

Opositores de Berlusconi, incluindo líderes de centro-esquerda e membros do Partido Radical, se reuniram na principal praça de Roma, Piazza del Popolo, neste sábado em protesto contra os esforços de Berlusconi para reformar o sistema de justiça de maneira que o primeiro-ministro possa ser beneficiado judicialmente. Com gritos de "a justiça é igual para todos", os manifestantes convocaram os italianos a se juntarem à manifestação. Berlusconi rejeita as acusações de que atenção de seu governo está focada em livrá-lo dos problemas legais. O líder italiano afirma que o sistema de justiça da Itália é muito lento e que a reforma beneficiará a todos os italianos. As informações são da Associated Press.

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