Justiça do Chile bloqueia US$ 1,7 mi de empresa dona da mina San José

Medida visa garantir que indenizações a mineiros presos sejam pagas mesmo em caso de falência

Efe,

26 de agosto de 2010 | 17h40

Barraca improvisada por parentes de mineiros presos na mina de San José

 

SANTIAGO- A Justiça chilena ordenou nesta quinta-feira, 26, o bloqueio de 900 milhões de pesos (US$ 1,7 milhões) da empresa mineradora San Esteban, proprietária da mina San José, onde estão presos 33 mineiros desde 5 de agosto.

 

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Segundo fontes judiciais, uma juíza da cidade de Copiacó ordenou a retenção do dinheiro que corresponderia a pagamentos que a Empresa Nacional de Mineração (Enami) faria à San Esteban.

 

Com essa determinação, a Justiça acatou a medida preventiva apresentada pelo advogado Edgardo Reinoso Lundstedt, representante de 26 famílias dos mineiros presos.

 

Nesta quinta foi apresentada a primeira denúncia contra os donos da San Esteban, Alejandro Bohn e Marcelo Kemeny, e contra os responsáveis pela estatal Serviço Nacional de Geologia e Mineração (Sernageomin).

 

Tanto Lundstedt como Roberto Valdés, que também representa parentes dos mineiros, explicaram a jornalistas que os proprietários da mineradora serão acusados por lesões e os funcionários estatais, por prevaricação.

 

Segundo Valdés, o órgão estatal "ditou, em 2008, uma resolução injusta que significou a reabertura da mina San José", que havia sido fechada no ano anterior por falta de segurança.

 

O advogado acrescentou que os donos da empresa podem ter de responder com seus bens pessoais ante a possível falência da empresa, enquanto o pagamento de suborno para a reabertura da mina será investigado.

 

O Ministério de Mineração já afirmou repetidas vezes que a empresa San Esteban deve cumprir seus compromissos com 140 empregados e também com as futuras indenizações que devem ser pagas aos mineiros.

 

Drama

 

Os mineiros estão presos em um refúgio a 688 metros da superfície após o colapso na mina. Os 33 sobreviveram por 19 dias com uma dieta racionada de duas colheres de atum enlatado, um gole de leite e meio biscoito a cada 48 horas.

 

O único canal de comunicação com o exterior tem 15 centímetros de diâmetro. É por lá que as equipes de resgate começaram a enviar soro e rações de proteína e glicose, semelhantes às consumidas por astronautas. Dentro da mina, os mineiros contam com acesso à água e canais de ventilação.

 

O resgate será feito por uma perfuradora que abrirá caminho no solo. Andres Sougarret, chefe da operação, afirmou que o período para abrir um túnel largo o bastante para a passagem segura dos homens pode levar até quatro meses.

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