Justiça do Chile condena 53 agentes da ditadura por morte de 9 comunistas

Justiça do Chile condena 53 agentes da ditadura por morte de 9 comunistas

Entre os condenados se destaca o brigadeiro do Exército, Miguel Krassnoff Martchenko, que com a sentença já soma 700 anos de prisão por violações aos direitos humanos

O Estado de S.Paulo

03 Dezembro 2018 | 20h55

SANTIAGO - A Justiça do Chile condenou nesta segunda-feira, 3, 53 agentes repressores da ditadura de Augusto Pinochet por responsabilidade na execução de nove membros do Partido Comunista em 1976, o que representa uma das maiores sentenças no país relacionadas com violações aos direitos humanos.

Segundo um comunicado do Poder Judiciário, o juiz especial para casos de violações aos direitos humanos da Corte de Apelações de Santiago, Miguel Vázquez Plaza, expediu a sentença pelo crime de sequestro qualificado.

As vítimas eram Mario Zamorano Donoso, Onofre Muñoz Poutays, Uldarico Donaire Cortéz, Jaime Donato Avendaño, Elisa Escobar Cepeda, Lenin Díaz Silva, Eliana Espinoza Fernández e Víctor Díaz López, todos do Partido Comunista chileno.

As penas dos agentes, todos da temível Direção de Inteligência Nacional (Dina), a polícia secreta da ditadura entre 1973 e 1977, oscilaram entre 3 e 20 anos de prisão.

Entre eles se destaca o brigadeiro do Exército chileno, Miguel Krassnoff Martchenko, que com essa sentença já soma 700 anos de prisão por violações aos direitos humanos.

Os repressores Jorge Madariaga Acevedo, Hugo Clavería Leiva, José Soto Torres, Raúl Soto Pérez, Juan Escobar Valenzuela, Jerónimo Neira Méndez, Pedro Mora Villanueva e Jorge Escobar Fuentes, também investigados por estes crimes, foram absolvidos.

Segundo estabeleceu a investigação, todas as vítimas do processo foram detidas para serem interrogadas e torturadas em razão da sua militância política, a fim de obter informação sobre as atividades do partido e, especialmente, a identificação posterior de outros membros na clandestinidade.

"Tais constragimentos não cessavam até a obtenção da informação requerida ou até a inconsciência das vítimas", detalhou a decisão judicial.

Para matá-los, os agentes usavam uma bolsa plástica para cobrir suas cabeças e a amarravam ao pescoço, impedindo-lhe a respiração, o que provocava a morte por asfixia.

Uma vez constatada a morte, muitos dos opositores foram colocados em grossas bolsas de polietileno, que eram amarradas com arames em torno da sua cintura, atando-os a um pedaço de barra de metal para serem lançados ao mar.

Nesta mesma linha, o juiz Vázquez Plaza estabeleceu que o lançamento de corpos ao mar foi uma prática sistemática utilizada pelos agentes de segurança entre 1974 e 1978.

Durante a ditadura de Pinochet, de acordo com números oficiais, cerca de 3,2 mil chilenos morreram nas mãos de agentes do Estado, dos quais 1.192 figuram ainda como detidos desaparecidos, enquanto outros 33 mil foram torturados e presos por motivos políticos. / EFE

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