Justiça do Chile exuma corpo de Allende

SANTIAGO

, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2011 | 00h00

Os restos mortais do ex-presidente chileno Salvador Allende, deposto e morto em 1973, foram retirados ontem da tumba no Cemitério Geral de Santiago para serem exumados. Sob ordens da Justiça chilena, especialistas esclarecerão se o líder socialista cometeu suicídio ou foi assassinado enquanto estava no Palácio de la Moneda, cercado por tropas golpistas.

Segundo o juiz Mario Carroza e descendentes de Allende, os laudos periciais feitos logo após a morte de Allende apresentam contradições até agora não esclarecidas. Investigadores forenses deverão, por meio de fragmentos ósseos, determinar o que causou a morte do líder.

O caixão de Allende, coberto com a bandeira chilena, foi retirado ontem diante de duas filhas do ex-presidente. Cada uma levava uma rosa. "Nossa convicção é a de que o presidente Allende decidiu morrer num ato de coerência política, na defesa do mandato que ele havia recebido do povo", afirmou a senadora Isabel, filha do líder e uma das principais vozes da oposição ao presidente Sebastián Piñera. Para comprovar a identidade de Allende, especialistas coletaram o DNA das duas descendentes do presidente. A conclusão dos 12 cientistas pode levar até um ano.

Em 11 de setembro de 1973, militares chilenos derrubaram o primeiro presidente socialista eleito na América Latina, Salvador Allende. Com o golpe, assumiu o comando em Santiago o general Augusto Pinochet - então chefe do Exército do governo Allende. A ditadura chilena durou 17 anos e deixou mais de 3 mil mortos. / AP

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