Bienvenido Velasco / EFE
Bienvenido Velasco / EFE

Justiça do Equador manda prender governadora ligada a Correa

Governadora afirmou ser vítima de uma 'perseguição a opositores políticos' e que prisão ocorreu 'sem provas'; Outros dois homens foram detidos

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de outubro de 2019 | 16h27

QUITO - A Justiça do Equador emitiu nesta terça, 15, uma ordem de prisão preventiva da governadora  da província de Pichincha, Paola Pabón. Ligada ao ex-presidente Rafael Correa, rival do presidente Lenín Moreno, a governadora foi acusada de "desestabilizar o governo" durante os protestos contra o aumento de combustíveis que ocorreram nos últimos dias. 

Em sua conta no Twitter, a Procuradoria-Geral da província de Pichincha informou que o juiz apresentou queixa contra ela e outros dois processados pelo suposto crime de rebelião durante os protestos, e que a instrução fiscal se prolongará por 90 dias.

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Anteriormente o órgão fiscal havia apresentado elementos de convicção de sua possível participação “em um plano desestabilizador com financiamento estrangeiro” e o “uso do edifício do governo para esses fins”, indicou em outra publicação.

As autoridades do Equador detiveram Paola Pabón na segunda sem precisar as razões da decisão, que se deu poucas horas depois do fim dos protestos contra o aumento do preço dos combustíveis.

“Nas buscas, se levantaram indícios, como equipes tecnológicas, telefones, substâncias sujeitas a fiscalização e documentação”, apontou.

Pabón denunciou por sua parte que a busca ocorreu em seu domicílio de madrugada e que “derrubaram as portas enquanto dormia”, ao mesmo tempo em que assegurou que a prisão se realizou “sem provas”.

A governadora assegurou ser vítima de uma “perseguição a opositores políticos”, ao reconhecer sua afinidade e lealdade ao ex-presidente Rafael Correa (2007-2017).

“Isso é um desrespeito aos direitos humanos, isso é perseguição política. Meu único delito é ser militante da Revolução Cidadã”, afirmou Pabón em referência ao agrupamento político favorável a Correa, que reside na Bélgica.

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Em dias anteriores, Pabón e a ministra de Governo, María Paula Romo, trocaram mensagens via Twitter em momentos nos quais o Executivo responsabilizava pessoas próximas a Correa pelos atos de violência nos protestos.

“A senhora e seu Governo, me acusaram sem provas, no momento que a Procuradoria-Geral do Equador exigir, estarei disposta a dar minha versão, não tenho medo de seu regime de repressão e perseguição. O que nada deve nada teme”, disse Pabón a Romo.

A ministra respondeu: “Assim será. A senhora tem que responder a Quito, a Pichincha. A prioridade é recuperar a paz e a normalidade para todos e depois teremos tempo para provar o terrível papel que desempenhou criando caos e terror”.

Desde o início do protesto, o Governo sustentou a tese de que Correa tentava desestabilizar a democracia no país, acusação negada pelo ex-governante desde a Europa.

Em sua conta no Twitter, Correa listou na segunda, 14, os seguidores de seu movimento que foram presos recentemente e denunciou uma suposta perseguição política. / EFE

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