Bienvenido Velasco/EFE
Bienvenido Velasco/EFE

Justiça do Panamá absolve ex-presidente Martinelli em caso de espionagem

Para Juízes, não há provas suficientes para a condenação. Ele era acusado de espionagem política e desvio de recursos públicos

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2019 | 04h14

CIDADE DO PANAMÁ - Um tribunal do Panamá decidiu nesta sexta-feira, 9, absolver o ex-presidente Ricardo Martinelli das acusações de espionagem política e desvio de recursos públicos feitas pelo Ministério Público, determinando que ele saia da prisão.

Os juízes Roberto Tejeira, Arleen Caballero e Rául Vergara decidiram por unanimidade que não havia provas suficientes para condenar Martinelli. O ex-presidente, que sempre negou as acusações, se diz vítima de uma perseguição política orquestrada por seu ex-aliado e sucessor no cargo, Juan Carlos Varela, que deixou o poder no início de julho.

"O tribunal declara não culpado o senhor Ricardo Martinelli dos crimes acusados e suspende a medida cautelar que pesava contra ele, ordenando sua liberdade imediata", disse Vergara ao ler a decisão do tribunal.

Os promotores pediam uma pena de 21 anos de prisão para o ex-presidente, mas os juízes avaliaram que o Ministério Público não conseguiu provar que Martinelli cometeu os crimes de espionagem política e desvio de recursos públicos.

"O Ministério Público não conseguiu provar sua teoria sobre o caso e há dúvidas razoáveis. (...) Há indícios de que houve atividades à margem da lei no Conselho Nacional de Segurança, mas emergem dúvidas que não foram resolvidas pelas provas", diz a decisão, que ainda argumenta que os promotores apresentaram "fatos imprecisos e mal estruturados".

Fundador do partido Mudança Democrática, Martinelli foi o primeiro ex-presidente da jovem democracia do país a sentar no banco dos réus. Ele era acusado de interceptar ligações e mensagens de dezenas de opositores, empresários, jornalistas e ativistas.

Alegando perseguição política, o ex-presidente deixou o Panamá em janeiro de 2015, mas foi extraditado pelos Estados Unidos em junho de 2018, depois de passar um ano preso em uma penitenciária federal americana a pedido das autoridades panamenhas.

Já de volta ao Panamá, Martinelli foi levado a uma prisão de segurança mínima nos arredores da capital panamenha e logo passou para o regime domiciliar, já que a lei do país proíbe prisão preventiva superior a um ano.

"Graças aos meus advogados se fez justiça. Esta era uma conspiração de Juan Carlos Varela e Ronaldo López (ex-chefe do Conselho Nacional de Segurança)", disse Martinelli ao deixar o tribunal. / EFE

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