REUTERS/Carlos Garcia Rawlins
REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

Justiça do Panamá mantém prisão preventiva de Ricardo Martinelli

Ex-presidente é acusado de manter escutas ilegais de mais de 100 pessoas durante seu governo

O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2018 | 03h40

CIDADE DO PANAMÁ - O Supremo Tribunal de Justiça manteve na terça-feira, 19, a medida de prisão provisória em um presídio do Panamá do ex-presidente do país Ricardo Martinelli, por conta do processo de escutas ilegais durante seu governo.

A decisão foi emitida por unanimidade de votos dos nove juízes do Supremo Tribunal durante uma audiência solicitada pela defesa, que pediu que Martinelli, extraditado pelos Estados Unidos no último dia 11, fosse beneficiado com a medida de "prisão domiciliar".

O plenário do Supremo ditou a medida de prisão provisória como medida cautelar pessoal devido ao risco de fuga em dezembro de 2015, em uma audiência onde o ex-presidente não compareceu, pois já deixado o País em janeiro do mesmo ano.

Os magistrados do Supremo panamenho argumentaram que a defesa de Martinelli não conseguiu demonstrar "a existência de qualquer elemento novo que permitisse sustentar a mudança da medida de prisão provisória", de acordo com a decisão lida na audiência pelo juiz Luis Carrasco.

A decisão do plenário refutou os dois argumentos apresentados pela defesa: o estado de saúde de Martinelli e a privação de liberdade durante um ano nos Estados Unidos em razão do pedido panamenho de extradição, que os advogados interpretaram que devia se considerado como "abono" à prisão preventiva ditada pela Corte.

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Quanto à saúde do ex-presidente, os juízes indicaram que Martinelli, de 66 anos, sofre de doenças crônicas que podem ser tratadas com medicação "que podem ser administradas na prisão El Renascer", onde está preso desde que foi entregue ao Panamá pelos EUA.

O juiz Hernán De León acrescentou que o votação desta decisão "foi unânime" dos nove magistrados, antes de dar por concluída a audiência. Os advogados do ex-presidente não deram declarações após o final da audiência.

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Por sua parte, os promotores como Carlos Herrera Morán disseram aos jornalistas que a decisão de manter Martinelli preso foi "justa pois este o senhor apresenta um risco de fuga".

Martinelli, que se diz um político perseguido do atual governo panamenho, enfrenta uma acusação de até 21 anos de prisão pelos quatro tipos de casos criminais no caso das escutas ilegais de mais de 100 pessoas, de acordo com a acusação apresentada em outubro de 2015 pelo promotor Harry Díaz. /EFE

 

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