Justiça do Paquistão abre caminho para reeleição de Musharraf

Suprema Corte retira último recurso contra eleição; presidente pode deixar chefia do Exército até o sábado

Agências internacionais,

22 de novembro de 2007 | 07h45

A Suprema Corte do Paquistão, composta por juízes aliados do presidente Pervez Musharraf, rejeitou nesta quinta-feira, 22, um último recurso contra sua reeleição, abrindo caminho para que ele apresente sua renúncia como chefe das Forças Armadas e assuma o seu segundo mandato na chefia do governo. Veja também: Cronologia do estado de emergência no Paquistão Entenda a crise   A decisão, que já era esperada, significa que a Comissão Eleitoral paquistanesa já pode colocar em votação a legitimidade da eleição realizada em outubro. Musharraf afirmou ainda que deixará o comando das Forças Armadas caso seja confirmado presidente do país, tornando-se apenas um líder civil. O Procurador-geral do Paquistão declarou nesta semana que Musharraf pode deixar o Exército até o sábado.   Na segunda-feira o Supremo já havia rejeitado outras cinco ações apresentados pela oposição contra a reeleição presidencial. A maioria dos pedidos questionava o fato de Musharraf se reeleger presidente e ao mesmo tempo ser o chefe do Exército.   Ainda não está claro se Musharraf vai retirar o decreto de estado de emergência do país, que revogou a validade da Constituição, apesar da pressão da comunidade internacional, incluindo os Estados Unidos. Nesta quinta, o presidente deu base legal à medida por meio de uma emenda constitucional. O estado de exceção foi decretado no dia 3 de novembro.   Na quarta-feira, o governo libertou mais de 5.500 opositores detidos desde o estado de exceção, incluindo Imran Khan, ex-jogador de críquete e líder oposicionista . Khan afirmou que continuará com a greve de fome iniciada durante a prisão e com a campanha pelo boicote às eleições parlamentares de janeiro se Musharraf não desistir de suas manobras políticas.   O presidente suspendeu a Constituição por conta do que classificou como "ameaças" que a nação enfrenta. Ele justificou a medida citando níveis supostamente sem precedentes de violência promovida por extremistas islâmicos.   Acredita-se que o presidente paquistanês decretou o estado de emergência por avaliar que a Suprema Corte estava prestes a emitir uma decisão contrária à sua reeleição. Os juízes da Suprema Corte, muitos deles considerados independentes, foram substituídos por outros indicados por Musharraf após a decretação do estado de emergência.   Musharraf insistiu que o estado de emergência somente poderá ser suspenso quando a situação de segurança no país melhorar. Ele argumenta que se as eleições forem feitas sob um ambiente equivocado, os resultados poderiam levar ao caos. Segundo ele, se isso ocorresse as armas nucleares do Paquistão poderiam ficar vulneráveis.

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