Justiça do Paquistão intima premiê a depor sobre corrupção

A Suprema Corte do Paquistão intimou nesta segunda-feira o primeiro-ministro Yusuf Raza Gilani a prestar depoimento à Justiça pelo fato de não ter levado adiante investigações sobre casos de corrupção envolvendo o presidente e outras autoridades.

QASIM NAUMAN, REUTERS

16 de janeiro de 2012 | 10h50

A intimação pode agravar a crise política no Paquistão, onde há rumores sobre um golpe de Estado militar.

"Nessas circunstâncias, não nos resta opção, como primeiro passo, senão emitir uma intimação", disse a ordem proferida pelo plenário do tribunal, composto por sete juízes. "O primeiro-ministro tem de comparecer pessoalmente à corte em 19 de janeiro."

O governo enfrenta um duplo desafio à sua sobrevivência. Uma das crises decorre de um memorando em que um ex-diplomata ligado ao presidente Ali Asif Zardari pedia aos EUA que controlassem os militares paquistaneses. A outra está ligada à implementação de numerosas ordens da Suprema Corte nos últimos dois anos.

Qualquer sinal de instabilidade no Paquistão tem repercussões mundiais porque o país, de 180 milhões de habitantes, possui um arsenal nuclear em rápida expansão e enfrenta uma desenfreada insurgência do Taliban.

O ministro da Justiça, Moula Bakhsh Chandio, disse que a intimação ao premiê "não é uma coisinha banal". "Trata-se de uma ordem da Suprema Corte, a respeito da qual iremos consultar nossa comissão de especialistas. Vamos tomar os passos necessários à luz da Constituição e da lei."

Embora a intimação seja para Gilani, observadores dizem que o verdadeiro alvo da Suprema Corte é Zardari.

Durante a década de 1990, o hoje presidente foi alvo de vários processos de corrupção e até de homicídio. Ele diz que todas as acusações são falsas, resultantes de intrigas políticas.

Um acordo de anistia que lhe conferiu imunidade foi anulado em 2009, e o tribunal tem pressionado o governo a reabrir e investigar casos de corrupção contra Zardari. O governo se recusa a fazer isso porque o presidente tem imunidade como chefe de Estado.

"Teoricamente, o primeiro-ministro pode ser preso se for condenado por desacato ao tribunal", disse Khalid Anwar.

"Mas não acho que isso irá acontecer. O perigo é que, se ele for condenado, tenha seu mandato parlamentar cassado", acrescentou Anwar, acrescentando que ele se tornaria também inelegível para ser primeiro-ministro.

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